quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ruanda - A história que não se conta: crimes contra hutus, entre 1990 e 2002

O tribunal nacional descobriu uma realidade que não foi investigada pelo Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que se limita a julgar os massacres contra a população Tutsi entre abril e julho de 1994 e deixa na impunidade os crimes cometidos contra os hutus ao longo da década, entre 1990 e 2002. O que se segue é um resumo da história contida no acto de processamento do magistrado Fernando Andreu a quarenta altos funcionários do actual governo ruandês, por crimes contra a humanidade e genocídio. Uma história que se explica pouco, porque revela a pilhagem econômica que incita o conflito étnico.

A guerra começa
Em 1 de Outubro de 1990, cerca de 3.000 soldados da FPR (Frente Patriótica do Ruanda: braço político, o Exército Patriótico de Ruanda: ala militar), equipados e treinados pelo Uganda de Museveni - amigo dos Estados Unidos e Reino Unido - invadem o nordeste do Ruanda e massacram a população, provocando ondas de refugiados entre os Hutus perseguidos. Os ocupantes são os filhos da aristocracia tutsi favorecida pelo governo colonial que tinha “deixado” o país, por não aceitar o resultado das eleições de 1961, que levaram à presidência o hutu Grégoire Kayibanda em uma Ruanda constituida em república democrática, que se declarou independente em 1 de Julho de 1962.

O isolamento armado de FPR persegue três objectivos: o extermínio dos hutus, a conquista do poder pela força – ainda mais sacrificando os tutsis que haviam permanecido no país, considerados traidores – e a articulação de uma estratégia com a participação de aliados ocidentais para aterrorizar a região dos Grandes Lagos e apropriar-se das riquezas do vizinho Zaire (hoje Congo).

Matanças selectivas
Intelectuais e líderes políticos hutus são eliminados, a fim de silenciar as vozes de consenso medir a resposta da população civil aos crimes. Entre outras, a 8 de maio de 1993 é assassinado Emanuel Gapsysi, líder do Movimento Republicano Democrático e líder do Fórum para a Paz e Democracia, e em 21 de Fevereiro de 1994 Felicien Gatabazi, presidente do Partido Social-Democrata. As operações são executadas pelo comando Rede, um grupo de elite treinado para matar a sangue frio. O partido do governo criou a sua milícia, o Interahamwe, que atacam a população tutsi. O FPR é inteligente o suficiente para atribuir os próprios ataques ao Interahamwe. Isso gera confusão sobre as origens da violência e uma situação caótica que faz com que o país seja ingovernável.

Frente Política e mediática
A estratégia da FPR centra-se em provocar a raiva dos hutus massacrando a líderes hutus e as populações deste grupo. O FPR faz tudo para construir uma imagem inclusiva através da infiltração das missões diplomáticas. Criar um canal de expressão para reviver os confrontos étnicos: Rádio Muhabura, activa desde 1991 e que em 1993 teria resposta na televisão Radio Libre das Mil Colinas, nas mãos de milícias hutu. Atacando os membros da Igreja, considerada culpada da perda de poder tutsi em 1961, por ter denunciado a fidelidade dos hutus ao estatuto privilegiado dos tutsis, uma desigualdade reforçada pelos interesses coloniais. Liquidar testemunhos que pudessem transmitir uma versão não manipulada dos eventos.

"Gukubura ": limpeza
No início de 1994 havia um milhão de refugiados no interior do país que fugiam das matanças de FPR. Muitos cadáveres foram queimados e os campos são atacados com armas pesadas. Em 14 de março de 1994 se ordenou a gukubura a limpeza total de qualquer elemento hutu nas regiões de Byumba, Umutura e Kibungo. As zonas vazias são ocupadas pelos tutsis provenientes de Uganda. Os presidentes mortos em 6 de Abril de 1994, o Falcon 50, em qual viajam os presidentes de Ruanda e Burundi, Juvenal Habyarimana e Cyprien Ntayamira, é atacado por dois mísseis enquanto se prepara para aterrar em Kigali. Todos os ocupantes morrem. De acordo com pesquisas recentes, a ordem veio de Paul Kagame, um militar treinado em Estados Unidos e máximo responsável da estrutura político-militar da FPR /APR e que tem como finalidade criar um estado declarado de guerra civil, para facilitar a operação de assalto ao poder. A ONU se recusou a investigar.

Violência calculada
O assassinato do presidente Hutu leva a uma espiral de violência calculada contra a população tutsi. O FPR ataca o exército ruandês sujeito ao embargo internacional de armas (FPR recebe armas de Uganda). É a batalha final para a conquista do poder que se resolve a favor dos tutsi de FPR, em 17 de julho de 1994. Desde abril a julho os massacres são relatados e leva a aproximadamente 500.000 vítimas, segundo o ACNUR. Esse episódio passa a história como o genocídio de Ruanda e a comunidade internacional tem escrito uma das suas mais lamentáveis páginas quando a ONU se retirou e deixa a população indefesa. Se bem que a maioria dos mortos eram tutsis, se tem dado pouco a conhecer, até recentemente, a violência contra hutus por parte de FPR: 150.000 assassinatos, desde o momento da invasão, e mais 312.726 entre julho de 1994 e Julho de 1995.

Denúncia Vallmajó
Em 23 de abril cerca de 2.500 camponeses hutus desarmados são metralhados no campo de futebol de Byumba. Paul Kagame dá a ordem. Os corpos são queimados no Parque Akagera ou enterrados em valas comuns. Em 24 de Abril são assassinadas mil pessoas na Escola Social de Bom Conselho e no Centro Escolar de Buhambe. Em abril de 26 de abril militares de APR/FPR levam um padre branco, filho de Joaquim Navata Vallmajó Sala, e os sacerdotes hutus José Hitimana, Faustin Mulindwa e Fidèle Milinda. Seus corpos não foram encontrados. Vallmajó era um testemunho perigoso que difundia as violações dos direitos humanos, também as dos extremistas tutsis de FPR, e denunciou a sua campanha de desinformação.

Testemunhos molestos
Os cooperantes de Médicos do Mundo, Maria Flors Sirera Fortuna (nascida em Tremp), Manuel Madrazo Osuna (Sevilla), Luis Vultueña Gallego (Madrid) também são provas do regime de terror imposto pelo FPR uma vez chegado novamente ao poder. Em dezembro de 1996, iniciam um projeto de saúde para 200.000 pessoas. Em 16 de Janeiro de 1997, um vizinho lhes mostra as valas comuns com centenas de cadáveres do massacre do campus Universitário de Nyakinana. A visita é detectada pelos serviços secretos e isto representa sua sentença, executada dois dias depois. Seguindo a mesma estratégia de silenciar as vozes críticas são assassinados os espanhóis Servando Mayor, Julio Rodríguez, Miguel Angel Isla e Fernando de la Fuente (31 de outubro de 1996, no campo de refugiados de Nyamitangwe) e o sacerdote guipuzcoano Isidro Uzcudun, que foi baleado na boca como uma mensagem (10 de Junho de 2000, em Mugina). São nove as vítimas espanhóis.

Perseguição aos refugiados
A tomada do poder pela FPR/APR faz que milhares e milhares de hutus busquem proteção em campos situados na zona oeste de Ruanda e que, a ser atacados, atravessam a fronteira com a Tanzânia, Burundi e Zaire. Em julho de 1994, há quase 3 milhões de refugiados ruandês, mais de um milhão no Zaire. Em Ruanda os massacres continuam em 95, 96 e 97 como a propagação de conflitos ao Zaire: Laurent Kabila se levanta contra Mobutu no fim de 1996 e com um exército de unidades ruandesas, ugandesas e burundesas toma o poder em julho de 1997. Um ano depois, quando não aceita a tutela externa em seu país - agora designada Congo – fazem a guerra desde Kivu, zona que controla Ruanda. (Kabila seria assassinado em 2001 por um comando da FPR) Os campos de refugiados são bombardeados pelo FPR e as câmeras recolhidos. Ruanda declara acabada a guerra e abre as fronteiras.

Triste papel de ACNUR
Embora o relatório Gersory já havia verificado em 1994 que o regime de Kigali não reunia as condições de segurança, o Alto Comissário das ONU para os Refugiados (ACNUR) inicia o programa de repatriação forçada dos hutus ruandeses a seu país, onde lhes aguarda a prisão e a morte. Metade deles, cerca de 500.000 recusam voltar e no final de 1996, começam dentro do território congolês, uma longa caminhada – mais de 2.000 quilômetros, árdua, a falta de alimentos e remédios - um êxodo incerto para tentar salvar a vida, perseguidos como um objectivo militar, mas inexistente aos olhos da comunidade internacional: ACNUR proclama que todos os ruandeses voltaram voluntariamente para casa. Em janeiro e fevereiro de 1997, Juan Carrero e outros membros na Fundação S'Olivar fazem greve de fome reclamando o fim da violência na região dos Grandes Lagos. Emma Bonino, Comissária Europeia para a Acção Humanitária, visita o campo de Tingi-Tingi, acompanhada de câmeras para mostrar ao mundo que os refugiados estão lá. Logo após vai ali mesmo Sadako Ogata, Alta Comissária da ONU para os refugiados e afirma que só pode assegurar a protecção daqueles que voltar ao Ruanda. O campo Tingi-Tingi é destruído em 1 de março pelo FPR; estavam concentradas ali cerca de 300.000 pessoas. Alguns dos quais haviam abandonado o local e conseguiram chegar à República do Congo [Brazzaville] ou a república Centro-Africana. No total cerca de 500.000 refugiados perdem a vida

A presa
A tutela que não aceita Kabila de seus amigos ruandeses é a da pilhagem das vastas riquezas naturais do seu país, na realidade, o principal argumento da primeira guerra do Congo (no final de 1996 e 1997, que leva Kabila ao poder), da segunda guerra do Congo (em 1998 a invasão do Uganda e Ruanda, com o apoio dos Estados Unidos), também conhecida como o genocídio de Congo, e da violência que até hoje continua. O resultado? Cerca de 6 milhões de mortos desde 1996. Embora apresentado ao mundo como uma guerra tribal o fogo está atiçado desde o Ocidente. Alguns anos atrás a congressista dos Estados Unidos Cynthia McKinna denunciou o envolvimento directo da American Mineral Fields (Campos Minerais Americanos) e até agora dezenas de empresas multinacionais de mineração americanas, canadenses e europeus financiam o conflito, saqueando e extraindo ouro, diamantes, coltan, cassiterita e madeira dentro regime neo-esclavagista.

Fonte:CasasdeÁfrica.
Traduzido por Abenaa.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Acordo de Lisboa 19.12.74

O Acordo de Argel, foi um acordo assinado em 26 de Novembro de 1974 em Argel, pelos representantes de Portugal e do PAIGC, na presença do presidente argelino Houari Boumedienne. Com este acordo é definida a independência de São Tomé e Príncipe para 12 de Julho de 1975 e a independência da Guiné-bissau para 10 de Setembro de 1974. Em relação à Guiné-bissau, ficou definido nesse acordo que as tropas portuguesas sairiam do território até à data limite de 31 de Outubro de 1974. (in wikipédia)
*
A 19 de Dezembro de 1974, assinava-se, em Lisboa, um Acordo que determinava o calendário e os demais processos prévios ao reconhecimento do Estado de Cabo Verde e a proclamação da independência do arquipelágo.
Estabeleceu-se neste acordo, entre outros, que seria criado em Cabo Verde um Governo de Transição, presidido por um Alto-comissário indigitado por Portugal e constituido por mais cinco ministros, sendo dois escolhidos e nomeados por Portugal e os demais três indigitados pelo PAIGC. Fixou-se, ainda, 5 de Julho de 1975 a data para a proclamação da independência e a investidura dos representantes do povo de Cabo Verde.
TEXTO DA PROCLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE CABO VERDE (in Boletim Oficial da República de cabo Verde n.º 1, de 05 de Julho de 1975)

Diz a História que as reiteradas tentativas de emancipação social das nossas ilhas, embora tenham deixado mártires e gerado heróis anónimos, foram sempre estranguladas pela opressão colonial.
Coube às modernas gerações, iluminadas pela ideologia de libertação dos povos colonizados e impregnadas do espírito de Bandung, compreender que o problema da miséria e do atraso social das ilhas de Cabo Verde reconduzia-se a um problema político e, como tal, jamais poderia ser resolvido no quadro da sujeição colonial e da alienação da liberdade humana. Antes de mais postulava a reinvindicação e a luta pela independência.
Todavia, para empreender com êxito esta luta, desigual face à expressão numérica das realidades em confronto e ao prestígio de falsos valores dominantes em vastas regiões da comunidade internacional era, na conjuntura histórica, necessário que os Povos Africanos superassem a escala nacional e potenciassem a sua energia vital na cooperação de esforços e na unidade de propósitos revolucionários.
Assim, AMÍLCAR CABRAL, Fundador e Militante N.º 1 do P.A.I.G.C., concebe a genial idéia de renovar no sentido do Povo e de reestruturar na matriz política da libertação dos Povos do Terceiro Mundo, a Unidade dos filhos da Guiiné e Cabo Verde. Assim se funda e se constrói o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, força de expansão revolucionária e aglutinante da consciência nacionalista na Guiné e em Cabo Verde, motor histórico de renovação mental, social e ideológica, segundo as linhas da acção construtiva e da pedagogia política do nosso imortal guia, Amílcar Cabral.
O princípio da Unidade da Guiné e Cabo Verde, concebido para a luta e forjado na luta, que já estava prefigurado na nossa comunhão de sangue, de martírios e de História, deu provas irrecusáveis como factor decisivo de mobilização da consciência nacional, de organização para a luta e de transmutação da nossa Sociedade.
Coroada de glória a confrontação política e armada na Guiné Bissau, onde se iniciou a denúncia do Império Colonial Português, o P.A.I.G.C. intensificou a luta revolucionária nas Ilhas: lançou justas palavras de ordem correspondentes às profundas aspirações e aos interesses vitais do nosso povo, mobilizou as camadas trabalhadoras alienadas à omnipotência do Estado Colonial, deu aos trabalhadores públicos e da actividade privada uma nova consciência de dignidade na liberdade, inspirou greves e manifestações de protesto contra actos repressivos da Ordem Colonial, dinamizou movimentos de massa para reinvidicação de bens e valores pertencentes ao sagrado património do Povo.
Assim, a vontade inequívoca das massas populares confirmou, no terreno firme e eloquente dos factos, a legitimidade representativa que o P.A.I.G.C. haviam reconhecido as mais altas instâncias da Organização da Unidade Africana e das Nações Unidas.
Assim, nós, Povo das Ilhas, quebramos as cadeias da subjugação colonial e escolhemos livremente o nosso destino Africano. E a História reterá que filhos do nosso Povo glorioso de Cabo Verde, que se bateram com valentia na frente de luta armada na Guiné, estiveram prontos e decididos para o combate armado em Cabo Verde também, se tal viesse a revelar-se como a única via para a libertação das nossas queridas Ilhas.
Povo de Cabo Verde.
Hoje, 5 de Julho de 1975, em teu nome, a Assembleia Nacional de Cabo Verde Proclama Solenemente a República de Cabo Verde como Naçção Independente e Soberana.
Camaradas e compatriotas,
O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde foi e continuará a ser a força, a luz e o guia do nosso Povo. Como na República irmã da Guiné, e em Cabo Verde, continuará a ser a força política dirigente da nossa Sociedade hoje totalmente livre.
A República de Cabo Verde é estado de vocação democrática e opção anti-imperialista, onde o poder soberano é exercido no sagrado interesse das massas populares, impondo-se-lhe como objectivo primeiro o prosseguimento na luta pela libertação total do Povo e a consequente edificação duma sociedade isenta de exploração do homem pelo homem.
A República de Cabo Verde assume o solene compromisso de promover a organização económica do País e de criar as bases materiais para a participação no avanço da Ciência e da Técnica e no desenvolvimento da Cultura humanística, rumo ao bem-estar e ao progresso integral do Povo e à realização final da Paz na convivência humana.
As Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP), nascidas no fragor da batalha pela Independência Nacional, são o braço armado do nosso Partido, ao serviço do nosso Povo. A elas cabe, em primeiro lugar, defender a soberania nacional e a integridade do território, salvaguardar as conquistas revolucionárias do Povo e participar na construção do País, pelo combate ao sub-desenvolvimento e às suas componentes: a miséria, a fome, o analfabetismo.
A conquista da Independência de Cabo Verde é ... ímpar no evoluir da nossa existência, não só para as heroícas populações confinadas ao exíguo espaço da nossa insularidade, mas também para toda a Comunidade Cabo-verdeana esparsa pela Europa, América, Ásia e Oceania. Vitória para África, Mãe Eterna, berço de Culturas e Civilizações milenárias.
A República de Cabo Verde e a República da Guiné-Bissau são duas flores nascidas do esforço e de sacrifício comuns dos filhos da Guiné e Cabo Verde, unidos num mesmo combate, sob a bandeira gloriosa do nosso Partido. Como os filhos de Cabo Verde, que na terra livre da Guiné-Bissau contribuem, como nacionais, para a construção do País, os filhos da Guiné-Bissau terão nesta terra mais uma Pátria, gozando dos mesmos direitos e sujeitando-se aos mesmos deveres que os cidadãos livres da República de Cabo Verde. E o dia não vem longe em que as duas Nações irmãs, associadas numa união fraterna – dois corpos e um só coração – constituirão a bela realidade que o melhor filho do nosso Povo, Amílcar Cabral, sonhou e fez consagrar no Programa Maior do nosso Partido.
A República de Cabo Verde solidariza-se com todos os Povos que lutam pela emancipação social, em particular com os povos do nosso continente, no combate contra o colonialismo, o racismo e o neo-colonialismo. Ela participa activamente na luta pela Unidade dos Estados Africanos, princípio vital da sua existência e missão no Mundo, na base do respeito estrito da liberdade, dignidade e personalidade colectiva dos respectivos povos.
A República de cabo Verde propõe-se, na base do Direito Internacional, estabelecer e estreitar laços de amizade, de cooperação e solidariedade com os Estados Africanos e com todos os demais Estados que reconheçam e respeitem a sua soberania e apoiem a sua justa luta pela libertação de todas as formas de sujeição e alienação. Ela dá uma particular atenção à criação e desenvolvimento de relações de franca cooperação, no interesse recíproco, com países que tradicionalemente acolhem emigrantes caboverdeanos os quais, pelo trabalho perseverante e honesto, têm contribuído para a construção económica dos outros continentes.
No concerto das Nações, e de acordo com as opções do nosso Partido, a República de cabo Verde adopta os princípios de respeito mútuo da soberania nacional, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados, da reciprocidade de interesses e vantagens, do não alinhamento, pela paz e cooperação entre os Povos.
A República de Cabo Verde lança um apelo a todos os Estados Independentes, organizações e organismos internacionais, para que a reconheçam de jure como Estado soberano, de harmonia com o Direito e a prática internacionais.
Viva a República de Cabo Verde!
Viva a República da Guiné-Bissau!
Glória Eterna a todos os heróis e mártires da libertação nacional!
Glória Eterna a AMÍLCAR CABRAL, Fundador e Militante N.º 1 do nosso Partido!
Viva o PAIGC, Força, Luz e Guia do nosso Povo, na Guiné e Cabo Verde!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Thomas Sankara, íntegro líder revolucionário africano

As lutas para a segunda liberação da África (I)
O período das independência dos países africanos a partir de finais dos anos 50 e princípios dos anos 60, marca uma etapa importante na vasta luta dos povos africanos por libertar-se do jugo colonial e de todas as demais formas de dominação estrangeira. Este período suscitou grandes esperanças nos povos africanos. Foi percebido como uma etapa crucial para um desenvolvimento endógeno cujos pilares seriam a soberania política dos povos e controle dos recursos naturais.

As independências da década de 1960 representaram uma total vitória sobre a ideologia imperialista da pretendida “missão civilizadora'' do Ocidente em África. Estas independências haviam contribuido a restaurar algum orgulho aos africanos, abrindo uma via para a redescoberta e a reapropriação da verdadeira história do continente. Sob o impulso do presidente Nkrumah, os primeiros países independentes haviam iniciado um processo de unidade, que culminou na criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 25 de Maio de 1963, em Addis Abeba (Etiópia). Esta unidade, apesar das diferenças ideológicas e políticas dos líderes africanos, dava um novo impulso às lutas de liberação no continente e na luta contra o odioso regime de apartheid na África do Sul. As independências tiveram também alguma influência sobre as lutas dos povos africanos contra a opressão e a discriminação que sofriam. Foi sobretudo do movimento pelos direitos cívicos dos E.E.U.U. nos anos sessenta.

I) Os limites da primeira liberação de África

Portanto 50 anos mais tarde, não podemos deixar de notar que as independências não haviam terminado com a dominação do continente africano. Sobretudo, não conduziram a uma ruptura com o modelo herdado da colonização. A dependência externa de África aumentou, o controle e a pilhagem dos seus recursos se deterioraram e a perda de soberania sobre a elaboração de suas políticas de desenvolvimento acelerou-se com os programas de ajustes impostos a quase três décadas pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Apesar da criação da União Africana e da existência de vários grupos regionais, a África está muito longe da unidade, como tem demonstrado as negociações com a UE sobre Acordos de Parceria Económica. Sem dúvida alguma, o continente carece de liderança que pode mobilizar as pessoas em torno de uma visão ousada e unificadora, como fizeram Nkrumah (Gana), Nasser (Egipto), Nyerere (Tanzânia) e muitos mais na ocasião das independências.

A) nascimento do neocolonialismo

Uma grave carência destas independências decorre do fato de que a maioria delas foram concedidas pelas antigas potências coloniais, as quais as torna em independência superficial. Como resultado, essas potências coloniais substituiram a colonização indirecta – o neocolonialismo - à colonização directa. Quase todas as relações de dominação permaneceram intactas assim como as instituições criadas com o fim de legitimá-las. Tanto que na maioria dos casos, a independência foi uma farsa e dava a ilusão de uma''soberania'' que só existia no papel. De facto, alguns países que se encontravam nesta categoria serviram de base para desestabilizar a outros países realmente independentes e alguns movimentos de liberação nacional de paises ou nacões ainda dominados. Por exemplo, na África Ocidental, Costa do Marfim e Senegal têm sido utilizados pela França para desestabilizar a Guiné, durante os anos da presidência de Sékou Touré.

Na esfera económica, estas políticas de desestabilização consistiam em sabotar economicamente ou em estrangular as finanças do país para impedir o sucesso dos esforços de reconstrução nacional dos regimes “hostis”. A nível político, levaram a cabo alguns golpes de estado contra líderes acusados de ''pro-comunistas'' por os países ocidentais durante a Guerra Fria. Foi o caso do presidente Nkrumah em Gana e do presidente Modibo Keita em Mali. Em outros casos, foram cometidos crimes hediondos, como os assassinatos de Patrice Lumumba no Congo ou Thomas Sankara em Burkina Faso. Portanto, um dos factores mais importantes do relativo fracasso da primeira libertação de África foi a substituição do colonialismo pelo neocolonialismo. As estruturas económicas, financeiras e políticas que serviu para subjugar os africanos e para a pilhagem dos seus recursos permaneceram intactas. Além disso, as antigas potências coloniais estabeleceram bases militares ou impuseram acordos de defesa que lhes deram o controle sobre os exércitos recém-criados daqueles países e, portanto, sobre a sua segurança. Através deste controle, as antigas potências coloniais foram capazes de realizar uma desestabilização permanente dos novos estados, como evidenciado a proliferação de golpes militares que assolaram o continente durante as duas primeiras décadas e depois.

B) A continuidade e persistência da ''balcanização''

O triunfo do neocolonialismo se tornou possível graças à persistência da balcanização do continente, herdado do período colonial. Ao concordar em manter as fronteiras definidas pelos colonizadores, os jovens estados africanos agravaram a sua situação de debilidade, sua fragilidade e incapacidade em resistir às pressões das antigas potências coloniais. Esta balcanização consideravelmente limitava o alcance do projecto de unidade africana, que representava a Organização para a Unidade Africana (OUA), o antecessor da União Africana (UA). Entretanto, o presidente Nkrumah havia advertido sobre os perigos desta divisão, ao dizer que ''Africa deve unir-se ou perecer.'' Mas não tinha sido escutado. À luz da situação actual do continente, sua advertência soa como uma profecia e África ainda está pagando um preço muito alto por sua fragmentação, tanto político como económico. A principal razão do fracasso dos esforços realizados para alcançar uma verdadeira união política reside talvez nas pressões e sabotagens das antigas potências coloniais, que vêem nesta unidade um perigo para a manutenção de sua dominação. A rejeição da maioria dos presidentes dos países independentes é um segundo factor.
Eles preferem manter suas ''independências'' e especialmente a sua bandeira, suas relações bilaterais ''privilegiadas'' com a sua antiga metrópole. Este é particularmente o caso dos países “francófonos”, isto é, das antigas colônias francesas. Explica, por exemplo, o fracasso de algumas tentativas de unificação, como a Federação de Mali, entre ele presentes o Mali e o Senegal. Explica também a manutenção de uma moeda como o franco CFA, totalmente controlada pela França.

Finalmente, a Guerra Fria entre o bloco soviético e os países ocidentais contribuiu também para minar a unidade dos países africanoa e aumentar as divisões entre os líderes africanos, submetidos a uma constante pressão por ambos os lados.

C) Debilidade da liderança

Uma parte dos factores herdados da colonização, a natureza da liderança africana, especialmente na maioria dos países cuja independência tinha sido “outorgada'', desempenhou um papel importante na persistência da balcanização e do fracasso da Primeira liberação da África. De facto, em muitos países, os líderes concordaram com os planos da metrópole, ou seja, a aplicação do neocolonialismo. Ao aceitar a continuidade das relações herdadas da colonização, aqueles líderes renunciaram a qualquer intento de transformação económica e social e a um autêntico programa de construção nacional e de unificação africana. Assim, fomentavam o fortalecimento dos laços de dependência que os unia com a metrópole, em todos os âmbitos. Na verdade, a maioria dos líderes dos primeiros anos das independências tinham uma “consciência nacional” bastante fraca, isto é, tal como entendia Frantz Fanon, que careciam de vontade política e certa disposição para superar os interesses pessoais ou de grupo com o fim de defender os interesses vitais da nação. Muitos líderes não tinham outra ambição que a de exercer o poder para tirar proveito. Seu compromisso com a ideologia neocolonial era mais fácil ainda porque tinham herdado de países sem verdadeira infraestrutura e com uns recursos humanos muito limitados. Se juntarmos a desconfiança de alguns líderes de seus próprios povos e intelectuais, muitas vezes considerados como umas simples perturbações, entendemos a facilidade com que os presidentes se renderam ao controle da metrópole. A preponderância deste tipo de liderança que levou ao fracasso de todos os intentos de unidade política de África assim como de integração económica, a nivel sub-regional e continental. Na verdade, a natureza da liderança na maioria dos países foi e continua sendo um dos principais problemas do continente. Portanto, a combinação destes fatores explica o fracasso da primeira libertação de África, iniciada pelas independências no início dos anos sessenta. Este fracasso foi ainda mais palpável quando o FMI e o Banco Mundial inicaram suas intervenções no final dos anos setenta, como resposta à crise da dívida externa. Eles encontraram um continente que, em grande parte, foi encaminhado para o processo de recolonização. A maior parte das realizações destas duas primeiras décadas de independência tinha sido questionada. Os estados pós-coloniais estavam enfrentando uma profunda crise de legitimidade após o fracasso do projeto neocolonial, o qual foi um dos elementos-chave. O Banco Mundial e o FMI não fizeram outra coisa senão exacerbar esse processo de recolonização impondo seus programas de ajuste estrutural nos anos oitenta.

II) As lutas pela segunda libertação de África

No entanto, aquilo não foi suficiente para quebrar a resistência dos povos africanos. Ao contrário, os sindicatos de trabalhadores se opuseram fortemente aos planos de austeridade impostos pelo FMI e o Banco Mundial. Os intelectuais africano, através de várias ONGs e institutos de investigação, desmontaram as análises e as teorias daquelas duas entidades. A OUA e a Comissão Económica para África (ECA), publicaram o Plano de Acção de Lagos (LAP), um primeira e ousada tentativa do continente em romper com os modelos herdados da colonização. Este plano, resultado de vários anos de discussões e reuniões entre líderes e intelectuais africanos, foi um produto 100% Africano, sem intervenção externa. Mas alguns meses mais tarde, o Banco Mundial publicou um documento conhecido como o ''Plano Berg'', o nome do seu autor, Elliot Berg, cujo objectivo principal era contrariar o Plano de Lagos. Politicamente, e apesar de recursos escassos, a OUA continuava mobilizando a opinião africana e internacional para apoiar a luta do povo sul-Africano contra o odioso regime do apartheid e libertar as últimas colônias do continente.

A) As contribuições de Sankara

Neste contexto, a figura emblemática de Thomas Isidore Sankara, um líder carismático da revolução burkinabé, toma uma dimensão significativa. O advento de Sankara e seus companheiros ao poder foi o resultado da resistência liderada pelas forças políticas e sociais africanas contra o neocolonialismo e as tentativas de recolonização dos programas de ajustamento estrutural. Sankara e seus companheiros de armas tomaram o poder em um país considerado como um ''dos mais pobres'' do mundo! O génio de Sankara consistiu em entender que a primeira coisa que tinha de fazer era emancipar as mentes de seus conterrâneos e de descolonizar suas mentes. Isso explica por que começou a restaurar seu orgulho convertendo o''alto Volta'' em Burkina Faso'', ou ''país dos homens íntegros''. Não foi uma simples mudança de nome, como aconteceu com o Zaire de Mobutu. Com Sankara, essa mudança tinha um fundo ideológico, político e cultural. A referência ao ''país os homens íntegros'' permitiu que o povo recuperasse o seu orgulho e dignidade, para que tenha confiança em si mesmo e fé na sua capacidade de trabalhar um futuro, baseando-se principalmente em suas próprias forças.

As lutas para a segunda libertação de África (II)

A luta pela segunda libertação da África está numa fase avançada, e a batalha se estende a todas as frentes. Apesar das aparências, a África está no caminho da sua emancipação. As convulsões actuais são sinais anunciadoras de uma nova África que nasce em meio da dor. Os povos africanos retomaram a tocha acesa por Nkrumah, Lumumba, Sankara e outros líderes e intelectuais africanos, a fim de cumprir a sua missão. Não querem continuar permitindo que outros falem em nome da África e decidam por ela.

1) Um líder visionário
Além de ser um revolucionário sincero, Thomas Sankara era um grande visionário, como Kwame Nkrumah (Gana). Na verdade, todas as grandes questões que constituíam o núcleo das lutas dos povos africanos e dos debates internacionais, tinham estado na mira das políticas implementadas por Sankara. Ele tinha dado grande importância à proteção do meio ambiente, que agora se tornou uma prioridade mundial. Ele entendeu também que a liberdade e a independência de um país deve fundamentar-se na capacidade deste país de se alimentar por si só. Daí a grande mobilização do povo de Burkina Faso para alcançar a soberania alimentar. Para além desta soberania, exortou o seu povo a consumir o que produzia. Estas políticas foram os pilares da sua visão de um desenvolvimento autocentrado, em ruptura com a herança colonial e imperialista. A luta contra a corrupção, muito em voga nestes dias, e que os países ocidentais utilizam como condição para a concessão de sua suposta “ajuda", era uma das prioridades de Thomas Sankara. Não fazia para obter os ''favores'' dos países desenvolvidos, mas para limpar a moral pública e fortalecer a confiança do povo em seus líderes e instituições públicas. A promoção e a protecção dos direitos das mulheres, a guerra contra todas as formas de discriminação de gênero, também fazia parte das prioridades da sua política. Como a dívida de África, foi o único chefe de Estado que a denunciava como um instrumento de dominação e até mesmo como uma nova forma de escravização do continente. Em julho de 1987, poucos meses antes de seu assassinato, disse: ''a dívida, sob a sua forma actual, é uma reconquista da África, perpetrada de forma inteligente, para que seu crescimento e seu desenvolvimento sigam certos padrões, umas normas totalmente desconhecidas por nós. Fazendo de tal modo que cada um de nós se torne num escravo financeiro, isto é, o escravo sem mais, de pessoas que provaram ser suficientemente oportunista, maliciosa e mentirosa como para investir seus recursos em nossos países com a exigência de que os devolvéssemos.'' Esta análise pertinente do papel da dívida externa da África ainda exemplifica o carácter visionário da liderança de Sankara. Na verdade, a dívida provou ser um instrumento de dominação nas mãos dos países ocidentais, o Banco Mundial e o FMI para recolonizar África e acelerar a pilhagem dos seus recursos através da privatização e outras políticas neoliberais que têm tirado os países africanos o direito de desenvolver as suas próprias políticas de desenvolvimento.

2) Herdeiro dos líderes e pensadores revolucionários
Os pensamentos e as acções de Thomas Sankara assumiram sua principal fonte de inspiração em alguns dos ''pais da independência'' e os eminentes pensadores do continente. Na verdade, Thomas Sankara era um digno herdeiro de Kwame Nkrumah, Patrice Lumumba, Amílcar Cabral, Julius Nyerere, Gamal Abdel Nasser, Ahmed Ben Bella, Steve Biko e muitos outros líderes revolucionários e panafricanistas. Sankara conhecia também as idéias de grandes pensadores africanos e da Diáspora, como Cheikh Anta Diop, Joseph Ki-Zerbo, Frantz Fanon, Osende afana, Felix Moumié, Abdou Moumouni, William E. DuBois, Malcolm X, Walter Rodney e muitos outros pensadores pan-africanistas. Mas Thomas Sankara, como revolucionário, foi também influenciado por outros pensadores revolucionários a nivel mundial. Nesse sentido, organizou uma semana antes de ser assassinado uma cerimônia de comemoração do grande revolucionário e indomável combatente para a liberdade que foi Ernesto ''Che'' Guevara. Esta homenagem foi também uma forma de demonstrar a sua profunda admiração e indefectível apoio para a Grande Revolução cubana liderada por Fidel Castro. Apoiava todos os povos na luta contra o imperialismo e o neocolonialismo. Aproveitava todas as oportunidades, tanto em Burkina Faso como fora do país para denunciar as agressões e os crimes do sistema imperialista mundial contra os povos do mundo, e para apoiar as lutas dos povos e das nações contra o colonialismo e a exploração do sistema capitalista. Para Shankara, esse apoio era muito natural, pois que para ele, a revolução de Burkina Faso era herdeira de todas as revoluções do mundo, de todas as lutas empreendidas pelos povos e nações oprimidas da história. Muito antes dos estragos causados pelos programas de ajustamento estrutural, tinha denunciado as políticas do Banco Mundial e do FMI e rejeitou a sua “assistência”. Tratava os “especialistas” de charlatões, cujos conselhos não faziam outra coisa senão afundar ainda mais os países em crise econômica e a dependência externa. Ao mesmo tempo, fustigava a ''ajuda'' internacional que contribuia para um agravamento da dependência internacional dos países do sul. Isso fez dele um revolucionário profundamente sincero e solidário com todos os povos em luta. Seu valor, sua coragem, seu carisma e liderança visionária haviam torná-lo numa lenda viva. Seu último sacrifício e a profundidade de sua mensagem, fez dele um herói lendário, um 'magnífico princípe negro'' que, como Malcolm X, o afro-americano, voltará algum dia para libertar os povos africanos da opressão. .

3) A visão de Sankara sobre a Libertação de África
Para Thomas Sankara, a luta é a única via possível para a liberdade e felicidade. Havia então que mobilizar o povo para que lutar para o progresso social, a justiça, a liberdade, a soberania e por recuperar a sua dignidade humana. Para ele, essa dignidade era fundamental. Tudo o mais era subordinada a este objectivo primordial. Portanto pensava que a distribuição do produto nacional e o modelo de consumo devia ser dependentes da realização deste objectivo. Daí o princípio segundo o qual, se deve ''contar com suas próprias forças'' e consumir o que produzem. A soberania alimentar era uma das estratégicas políticas de Sankara, porque era consciente de que um país que não poderia alimentar-se corria o risco de perder não só a sua independência mas, sobretudo sua dignidade. Para mobilizar o povo e reforçar sua unidade, Sankara sabia que tinha que acabar com o apartheid nacional, um sistema em que uma minoria tinha a maioria dos recursos. Esta situação resultou de relações feudais incentivada pela colonização. Para Sankara, a realização destes objectivos passava pelo fim do neocolonialismo e da reconquista da soberania dos povos sobre seus próprios recursos. Na verdade, para ele, o necolonialismo é o principal inimigo que impede a realização destes objectivos. Assim, combater e vencer o neocolonialismo é a condição necessária para a culminação da libertação de África. Sankara aprofundou neste sentido mais que qualquer líder revolucionário ou progressista depois de Nkrumah e Cabral, aplicando o princípio de que para ser autêntica, a segunda libertação da África tinha de levar à construção do socialismo. Em outras palavras, a verdadeira libertação não era possível sob o capitalismo. Isto é ainda mais compreensível se considerarmos o alto preço que África pagou para o nascimento e desenvolvimento do capitalismo. Como bem sabemos, a escravidão desempenhou um papel fundamental no que Karl Marx chamou “acumulação primitiva” de capital. O colonialismo tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento do capitalismo em E.E.U.U. e em particular a Europa. A prosperidade actual desses países vem em grande parte da pilhagem dos recursos do continente africano e de outros países em desenvolvimento. Portanto, qualquer emancipação econômica, social, política e cultural do continente deve necessariamente passar pela ruptura com o capitalismo. A visão, as idéias e acções de Thomas Sankara têm sido largamente ecoada em todo o continente, porque ele encarnava a permanente subversão contra os valores e as instituições do imperialismo e do colonialismo, contra a dominação estrangeira. Encarnava uma visão optimista do futuro, contra o discurso que predominava na África. Portanto se opôs ao fatalismo da ''pobreza'' para mobilizar a seu povo a fim de enfrentar seus próprios problemas, em vez de contar com uma suposta ''ajuda'' international. Com o seu ímpeto, o povo de Burkina Faso fez proezas impensáveis, incluindo a construção da ferrovia entre Ouagadougou e Kara, o número de barragens pequenas e, especialmente, a realização da soberania alimentar.

Em quatro anos, entre 1983 e 1987, conseguiu quebrar alguns mitos, muito tenazes, e minar a credibilidade de muitos estereótipos sobre a África graças a sua grande visão, a clareza do seu pensamento e da sinceridade de suas convicções.

B) As lutas actuais em várias frentes

Mas a visão e acção de Sankara tinham um alcance que transbordava as fronteiras de Burkina Faso e das do próprio continente. Ele tinha muitos seguidores no resto da África. Assim, ele se tornou no herói e na referência da juventude e todas as forças que lutam em distintas frentes pela segunda libertação da África.

1) As lutas dos intelectuais e movimentos sociais
Como já mencionado anteriormente, as políticas que faziam parte das prioridades de Thomas Sankara são hoje o núcleo das lutas dos intelectuais e movimentos sociais africanos. A mobilização contra os programas de ajustamento estrutural, a luta pela anulação da dívida externa ilegítima do continente, a celebração dos ideais pan-africanistas e de integração de África, e rejeição das políticas neoliberais, formam uma série de lutas que todas tendem à libertação total de África, para que o continente possa assumir o seu destino. Essas lutas são apoiadas por movimentos sociais e intelectuais como Samir Amin, Théophile Obenga, grande discípulo de Cheikh Anta Diop, Jean-Marc Ela, Aminata Traore, Boubacar Boris Diop, Pheko Mohau, Thandika Mkandawire, Yash Tandon, Issa Shivji, Adebayo Olukoshi e os pesquisadores agrupados dentro do Conselho para o desenvolvimento da pesquisa em ciências sociais em África (CODESRIA), Sra. N? dri Assie Lumumba e as pesquisadoras agrupadas na Associação de Mulheres Africanas para a Investigação e Desenvolvimento (AFARD ), os Srs. George Nzongola, Elikia Mbokolo, Djibril Tamsir Niane, eminentes historiadores, e muitos mais.

Todas estes intelectuais compartilham os valores incorporados por Sankara e seus ilustres antecessores. Contituem um verdadeiro ''exército da sombra, e levam a cabo uma luta sem concessões contra o neocolonialismo e os seus representantes na África, em particular contra a “Françafrique”, contra a dominação imperialista e todas as formas de dominação estrangeira, assim como contra a pilhagem dos recursos de África. Algumas delas reagiram fortemente às falácias e palavras insultuosas que Nicolas Sarkozy pronunciou contra a África, durante sua visita a Dakar em julho de 2007. Estes intelectuais liderando a luta contra o Banco Mundial, o FMI e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Eles têm contribuído significativamente para subtrair crédito a estas instituições e a deslegitimar suas políticas. também têm contribuído significativamente a chamar a atenção dos líderes africanos sobre o perigo dos Acordos de parceria económica que a UE quer impor a África. Ao nível político, têm desempenhado um papel fundamental na consciencialização dos líderes africanos sobre a necessidade de acelerar a unidade do continente e reapropriação das idéias defendidas por Nkrumah, Lumumba, Cabral, Nasser, Cheikh Anta Diop, Nyerere e Sankara, entre outros. O debate actual sobre os Estados Unidos de África e do governo da União Africana é um exemplo claro da sua influência. Eles são os portadores de um pensamento radical que tende a destruir a mentalidade herdada da escravidão e do colonialismo. Trata-se de um pensamento profundamente optimista e que tem fé na capacidade dos povos africanos para moldar o seu próprio futuro de forma independente e para encontrar sua própria via de desenvolvimento, fora dos supostos modelos “universais”. Por este pensamento, não pode haver uma experiência de desenvolvimento ''universal'', mas sim experiências marcadas pelo seu tempo e pelas características do seu espaço cultural e social. Podem conter algumas lições úteis, mas não pode ser aplicadas tal qual em outras sociedades. Esse pensamento é profundamente libertadora e se basea na confiança que tem na inteligência criativa do pensamento dos povos africanos. Se trata de pensamento audaz, subversivo e vigilante contra qualquer forma de dominação. Esses intelectuais estão integrados em movimentos sociais africanos, que desafiam o paradigma neoliberal e procuram construir de Outra África. Estão também influenciados pelas idéias e exemplo de Sankara e seus ilustres antecessores. O legado de Sankara e a influência de suas idéias e suas mensagens são tão presentes que o ano de 2007, correspondente ao vigésimo aniversário de seu assassinato, foi declarado ''Ano Sankara'' pelos movimentos sociais africanos. Esses movimentos querem construir uma Outra África através e para seus povos. Uma África libertada da dominação estrangeira, uma África unida, democrática e forte, que têm um peso significativo no mundo. Este objectivo desafia de forma magistral as forças que querem continuar exercendo a sua dominação sobre a África e a pilhagem dos seus recursos. A prossecução deste objectivo é um Manifesto de liberdade e emancipação intelectual, política, económica e cultural de grande significado histórico. Na verdade, o primeiro passo para acabar com a dominação imperialista e neocolonialista é a emancipação dos espíritos. Não dizia Steve Biko, herói e mártir da Revolução na África do Sul que ''a arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido''?
E um dos papéis fundamentais dos intelectuais e movimentos sociais africanos é o de contribuir para essa emancipação, sem a qual todas as outras formas de emancipação não teriam nenhum sentido. Rejeitar e subtrair créditos aos valores do sistema imperialista, deslegitimar a este sistema e as suas instituições, este é o processo que deve levar a liberação mental e intelectual, sem a qual não pode haver nenhuma libertação. Ao mesmo tempo, devemos forjar novos valores e conceitos a partir da realidade vivida pelos próprios africanos e não a que os outros descrevem para eles. Mas a influência de Sankara para a Segunda Libertação da África não se limita aos movimentos sociais e intelectuais. Também é notável a nível dos Estados Africanos e dentro das instituições regionais e continentais.

2) A nível dos Estados

Sem dúvida, a queda do odioso regime do apartheid na África do Sul em 1994, deu uma nova dimensão à luta pela Segunda libertação de África, a nivel politico. A criação da União Africana em 2001, o debate actual sobre os Estados Unidos de África são outras etapas importantes nesta luta. Na verdade, ele reflecte uma determinada tomada de consciência por parte dos líderes africanos, de que a unidade real de África é o único meio de sobrevivência do continente face aos desafios colocados pela globalização neoliberal. Mas o debate sobre os E.U. da África constitue sobretudo uma homenagem a Kwame Nkrumah e a todos aqueles que compartilharam sua grande visão e sua luta pela unidade não só dos povos africanos, mas também da diáspora. A rejeição unânime dos Acordos de parceria económica (APE) pelos chefes africanos, em Lisboa, 8 e 9 de Dezembro de 2007 é outro exemplo da maturidade de um processo de ruptura com o neocolonialismo.

(...)

Fonte:CasasdeÁfrica.
Escrito por Demba Moussa Dembele
Traduzido por Abenaa.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Oficialização do Crioulo: Língua Materna CaboVerdiana.

Porque sim?

Devido à nossa identidade cultural. Para salvaguardar os nossos valores – morais, sociais, estéticos, económicos, teóricos, técnicos, espirituais –, restaurar a nossa língua materna (cultura) e preservar a nossa identidade ameaçada.

Por isso também organizou-se toda a resistência africana (1) e emprenderam-se as lutas de libertação africana (2). Mais abaixo citaremos, resumidamente, alguns princípios da resistência cultural defendida por Amílcar Cabral ao Partido Africano de Independência de Guiné e Cabo Verde (P.A.I.G.C), especialmente os referentes ao crioulo.

Manuel veiga, actual Ministro da Cultura de Cabo Verde, assinala na sua obra “Diskrison Strutural di lingua kabuverdianu” (a 1ª descrição estrutural do Crioulo de Cabo Verde), que o Colóquio sobre “a problemática do estudo e da utilização do crioulo” foi um passo decisivo, após à independência, para o estudo e valorização da nossa língua materna, o crioulo, que muito tempo sofreu a injustiça de ser considerado um simples dialecto do português. Veiga ainda profetiza que as gerações vindouras falarão uma língua diferente da hoje utilizada, que é de base da variante santiaguense. E que justifica estabelecer a variante de Santiago como elemento de referência para o estudo do crioulo pela sua maior dimensão sócio-cultural e maior número de população.

Nesta mesma obra, Dulce Almada Duarte, prefaciando-a, patenteia que o crioulo (caboverdiano) é uma língua independente e não dialecto, um mero modo de comunicação de povos incultos e incivilizados ou resultado da incapacidade de povos atrasados assimilarem correctamente uma língua de cultura e de civilização, como fizeram-nos (e fazem) acreditar e sentir.

Governos africanos, numa conferência intergovernamental realizada na Gana, qual será referida abaixo mais exaustivamente, concluiram que a política colonial não conseguiu entender que as línguas africanas eram “verdadeiras” línguas, ou seja, veículos do saber e da cultura. Eram consideradas por eles, colonizadores, línguas “primitivas”, incapazes de expressar o pensamento científico.

O referido estudo de descrição estrutural do Crioulo também revela que o crioulo não é dialecto da língua portuguesa, nem em relação a nenhuma língua. Mas uma língua de estrutura diferente da do português. Afirmação que discordo parcialmente, apesar de não ser linguista, filólogo, escritor, professor, antropólogo. Realmente o crioulo é uma língua (anteriormente considerada estritamente oral) simplesmente por ser uma linguagem de um povo, o caboverdiano, mas discordo que tenha uma estrutura diferente do português. Por exemplo, qual português ao ler o título da obra supra, escrito em crioulo, que não o entenderá. Qualquer povo que expressa em português o compreenderá pela semelhança estrutural do Crioulo com a língua portuguesa.
*
O crioulo em qualquer parte do mundo, sempre foi uma miscilânea, assim como a dança, gastronomia, música, povo. Uma mistura da presença do colonizador e colonizado nestas ilhas. Realmente o crioulo é a língua materna de um povo de origem colonial, descendente da escravatura. Não um dialecto português falado na América e em alguns pontos da África, nomeadamente Cabo Verde, mas o cruzamento entre a estrutura da língua portuguesa, espanhola, francesa, inglesa e a de Kswahili, Yoruba, Wolof, serere, diola, mandinga (se falassemos todas estás línguas? imaginem quantas línguas conhecíamos!).

Segundo estudos linguísticos, na linguagem caboverdiana há, e denota-se, uma maior incidência da língua portuguesa do que das africanas. Entretanto, nos outros aspectos do nosso povo, verifica-se uma maior presença africana, o que levou Amílcar Cabral a afirmar que “a cultura do povo de Cabo Verde é africaníssima”.
*
É significativo que a busca da liberdade tenha coincidido com a busca da identidade cultural. Por isso Cabral recomendou o estudo da escrita Crioulo e Manuel Veiga, pós independência, advertiu da necessidade de todos contribuir-mos para criar as bases de introdução do crioulo em todas as esferas do saber, escolas, administração pública, mass-média, reuniões, encontros, declarações e discursos oficiais, desenvolvendo-se sobre os legados de Amílcar Cabral.

Cabral, no livro “P.A.I.G.C. Unidade e Luta”, manifesta, assim como todos os outros nossos estimados líderes africanos, a importância e necessidade da independência cultural para a efectiva independência política e liberdade.
*
Cabral, numa tentativa de ensinar aos militantes o concepto de Unidade e de luta, diz-nos na referida obra que no caso de Guiné e Cabo Verde, a luta era (ainda é): “os colonialistas portugueses ocuparam a nossa terra, como estrangeiros e, como ocupantes, exerceram uma força que fez com que eles tomassem o nosso destino nas suas mãos, fez com que parassem a nossa história para ficarmos ligados à história de Portugal, como se fossemos a carroça do comboio de Portugal. E criaram uma série de condiçoes dentro da nossa terra: económicas, sociais, culturais, etc.

Para isso, eles tiveram que vencer uma força. Durante quase 50 anos fizeram uma guerra colonial contra o nosso povo; guerra contra manjacos, contra papéis, contra fulas, contra mandingas, beafadas, balantas, contra felupes, wolofes. (...). Resolveram fazer de Cabo Verde (na epóca deserto) um armazém de escravos. Gente levada de África foi colocada em Cabo Verde, como escravo. Tiveram de deixar de fazer o negócio de escravos, passaram então a exercer uma força colonial. Sempre houve resistência a essa força colonial, que age contra”.

Inicialmente porque não podíamos enfrentar o “tuga” cara a cara, “tínhamos que o enganar”, apesar das energias gastas pela miséria, sofrimento, morte, doenças, desgraças, atrasos.

Cabral alerta para aquela realidade em que os descendentes de guineenses ou de caboverdianos que pertencem a elite, o seu único interesse era (ainda é) agarrar aos tugas, fingindo ser portugueses, até proíbem os filhos de falar outra língua que não seja o português.

Em que “o colonialismo meteu-nos muitas coisas na cabeça”. E que “o nosso trabalho deve ser tirar aquilo que não presta e deixar aquilo que é bom”.
A resistência cultural proposta por Amílcar Cabral era: “enquanto liquidamos a cultura colonial e os aspectos negativos da nossa própria cultura no nosso espírito, no nosso meio, temos que criar uma cultura nova, baseada nas nossas tradições também, mas respeitando tudo quanto o mundo tem hoje de conquista para servir o homem”. Sabemos que muitos discordaram (ainda discordam e discordarão) deste ponto de vista de Cabral, manifestação da sua noção de Unidade que ele considera o primeiro acto de cultura que devemos fazer na nossa terra.

Para Cabral, “o português (língua) é uma das melhores coisas que os tugas nos deixaram. É a única coisa que podemos agradecer ao tuga, ao facto de ele nos ter deixado a sua língua, depois de ter roubado tanto na nossa terra.”
Entretanto, cumpre ressaltar que nenhum momento Cabral incentiva a secundarização de nossa língua materna, como querem que assim se entenda uma parcela da elite política e intelectual cabo-verdiana. Cabral apenas estava convicto que antes era preciso um estudo aprofundado do Crioulo e das suas regras de fonética. Estudo que foi posteriormente, logo quatro anos após independência, empreendido, como evidenciado acima.

*
Das Conclusões da Conferência Intergovernamental sobre Políticas Culturais na África(*), considerou-se que, a luta pela independência nacional não foi (nem será) apenas uma reinvidicação política, territorial, mas também uma reinvidicação cultural, “uma contestação às pretensões do colonizador de tomar sua própria civilização como modelo universal”.

Considerando, ainda, que a África não era uma página em branco antes da invasão colonial; mas havia produzido conhecimento e técnicas, além de obras de grande valor na arquitectura, escultura, música, dança, poesia e literatura oral, tecnologia, matemática, física, astrologia, entre outros.

Que “a imitação dos modos de vida estrangeiros acaba destruindo o ambiente necessário ao renascimento e desenvolvimento das culturas africanas, despojando-as de seu significado social, espiritual e económico. A história social e cultural africana e de suas relações com o Ocidente demonstra a inconsistência da teoria da interpenetração cultural, ou seja, de uma fecundação recíproca e positiva das diversas sociedades.

A atitude de abertura para o resto do mundo não deve significar a adopção indiscriminada de uma modernidade que afasta cada povo de seu passado e o faz perder a personalidade, nem a imitação de modelos de crescimento, pois se a África pretende desenvolver, ela também pretende preservar sua personalidade.

Para que o desenvolvimento não signifique repúdio ao passado e não conduza a novas formas de alienação, deve-se favorecer o florescimento dos mais autênticos valores culturais, principalmente as línguas nacionais.

Todo o renascimento cultural na África, e também a preservação da autenticidade cultural, exige necessariamente a promoção das línguas nacionais.

Hoje, a nível continental, procura-se revalorizar as línguas africanas, visando proporcionar através delas o acesso da maioria aos conhecimentos mais modernos. Pois, somente a exacta compreensão do papel fundamental das línguas originais nos processos psicológicos, cognitivos e sociais permitirá reduzir as resistências de todo tipo que se opõem à utilização dessas línguas no ensino e na formação.

É preciso, portanto, rever totalmente os sistemas educacionais herdados do passado e transformá-los para que correspondam à realidade sócio-cultural africana, demandem a participação activa da comunidade e satisfaçam às necessidades e às aspirações da maioria”.

*(Resumo do Resumo das Conclusões da Conferência Intergovernamental sobre Políticas Culturais na África que foi adaptado a um outro documento da Unesco, Problemas e Perspectivas, relativo à Conferência realizada em Acra (Gana), em 1975).
*

E porque não? Perguntamos àquela parte do Parlamento Caboverdiano que diz “Não”.

Responderão-nos, alguns, que é preciso criar-se previamente as condições? Que condições meus/minhas senhores(as) estás vós a referir-se? Que condições?

O estudo da escrita sugerido por Amílcar cabral foi materializado. Talvez parcialmente porque optou-se pela escrita fonética-fonológica, de base latina. Entretanto, esta escrita foi e é utilizada em Cabo Verde e na diáspora por vários poetas, compositores, escritores, universidades, institutos, desde Março de 1979.

A 16 Março de 2009, o Alfabeto Unificado para a Escrita da Língua Caboverdiana (ALUPEC), já muito utilizada na literatura, foi instituído como Alfabeto Cabo-verdiano. Teses sustentaram que a língua caboverdiana é oficializável.

Até hoje fazem-se acordos ortográficos de línguas, e com a caboverdiana não será diferente.

Porque não à oficialização do crioulo?

1. Bairrismo? 2. Politiquice? OU 2. Somente a fim de perpetuarem, o discurso colonial de que a língua do colonizado (caboverdiano) não poderia ser “nem a língua da Administração, nem a língua da Escola, nem a língua da Justiça” por inculta e incivilizada.
*
“a capacidade de renovação do desenvolvimento socioeconómico deriva da dinâmica do desenvolvimento cultural”.

“o conflito da língua degenera em conflito de identidade cultural”.
Por Ababa Abenaa.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

China em África



Check out this investigative report on Chinese investment in mineral rich countries, like Angola. They come as friends, but will this type of "development" benefit the millions of Angolans, or continue to marginalize them in their own country. The end result remains to be seen. For now what we're seeing are improvements in the infrastructure of the country and billions of dollars flowing into the country. The question remains will the government officials making these deals do so with the best interests of the country in mind, or will they do so with their own best interests in mind, as China takes a very different approach from the West, which allows these officials to siphon off large amounts of money for their own benefit.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

KWANZAA

Lembrar, Recordar e Celebrar Kwanzaa é a sexta parte de Njia ou O Caminho, escrito por prof. Molefi Kete Asante, in Afrocentricity. O prof. Molefi é professor e secretário do Departamento de Estudos Afro-americanos na Universidade de Temple em Philadelphia (USA), ainda, escritor, editor do Jornal de estudos africanos “A Revista Afrocêntrica” e colunista do magazine “Harmonia Africana”. Ele diz no referido livro “Afrocentricidade” que devemos lembrar, ou seja, observar o Kwanzaa.


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Sexta Parte1.Lembrar Kwanzaa.
2.Este texto chegou ao Karenga em 351 A.B.A. (after.beginning.again. o tempo depois de 1619 quando africanos desembarcaram em Virgínia (eua) como servos contratados): “Estes são o Nguzo Saba. Procure UMOJA porque isto é procurar Unidade. Batalha por Kujichagulia e determina o seu destino. Honre Ujima por trabalho colectivo e responsabilidade. Aplica Ujamaa, economia colectiva, à tua vida. Mantenha Nia, propósito, em todas as tuas acções. Respectiva criatividade, Kuumbaa, como respeita os teus parentes. Conserve Imani, fé, um no outro. Estes sete princípios estão/são sempre em “O Caminho da Verdade”.
3.Quando tiveres encontrado Nguzo Saba, ensina a outros, porque nós somos um sangue.
4.Acrescente ao Nguzo Saba, Uhuru e Salaama para liberdade e paz pertencer a cada um de vós.
5.E Karenga recebeu o texto de Kwanzaa no mesmo ano que Nguzo Saba. Isto foi antes do seu cativeiro.
6.“Kwanzaa é a celebração da vida. Durante Kwanzaa nenhum sangue deve ser derramado, roubado nem combatido. É um tempo para reflexão sobre os Nguzo Saba.”
7.É um tempo de rededicação a luta apenas. É um tempo para os jovens e idosos serem felizes. Celebre Kwanzaa e alegre-se porque tu és um povo histórico.
8.Karenga escreveu estas palavras: “Kwanzaa significa primeiros frutos. Celebramos colheita. Há a colheita de alimentos, há a colheita de amor, há a colheita de boas acções. Há a colheita de amizade. Nós somos o primeiro povo de colheita”.
9.Quando celebras Kwanzaa faça-o com outros irmãos/ães que já leram O Caminho.
10.O primeiro dia de Kwanzaa é 26 de Dezembro. Todas a preparação para a mesa de Kwanzaa precisa ser feito em 25 de Dezembro.
11.Crianças devem participar em todas as fases de preparação. Dá-lhes responsabilidade das roupas, que devem ser vermelho, preto e verde. Estas são as cores históricas.
12.Frutas frescas, vegetais verdes, artefactos africanos, histórias da luta do povo contra racismo, e flores devem ser sensatamente colocados a volta das sete velas do Kwanzaa.
13.Em cada noite do Kwanzaa o mais velho membro da família dará uma lição sobre um dos Nguzo Saba.
14.A noite de Imani, a sétima noite deve ser a noite de diversão e partilha. Compartilha somente aquelas coisas que fizeste com as suas próprias mãos. Ensina isto bem e serás feliz.
15.Em tudo que faças, esteja consciente de seu exemplo para outros. Ensine bem.
16.Em 3 de julho de todos os anos o recomeço é lembrado com 12 horas de jejum. Enquanto jejuas, ensinem uns aos outros.
17.Esta é a memória de vinte almas que chegaram na América no primeiro ano do recomeço.
18.Não tenhas medo de falar àqueles sangues que recusam jejuar. Não estão conscientes nem no O Caminho. Ensina-lhes.
19.E quando tenhas jejuado e lembrado o recomeço, prometa ajudar e confortar uns aos outros.
20.O jejum deve terminar com cantos de Espirituais deixados a nós por alguns milhões idos.
21.Outros caminhos serão escritos, mas saiba que Este Caminho pertence a si.
22.Estude natureza.
23.O preço da força é estar ligado àqueles que são fracos.
24.A palavra que Karenga recebeu enquanto no cativeiro foi a nunca permitir o mundo impor sobre si. Esta é a verdade.
25.Honre aqueles que estão no exílio por falsas razões, eles são tua consciência.


*


Linda Robertson in The Complete Kwanzaa Celebration Book afirma que “Há um movimento sendo reacendido entre afro-americanos – um movimento para reclamar, restaurar e reviver sua herança cultural e rejeitar os falsos ídolos do materialismo e declínio moral.


A celebração de Kwanzaa, um feriado cultural criado por um afro-americano e aprovado pela comunidade afro-americana, é um importante elo a este movimento.”


Assim como na América, desenvolve em Cabo Verde um movimento que quer conhecer, reviver e legar à posterioridade a cultura tradicional africana de reunião, celebração, renovação e reafirmação do compromisso com valores positivos (os sete princípios).
Linda considera que “Kwanzaa, o único nacionalmente celebrado indígena/autóctone/original/natural, feriado afro-americano não heroíco, oferece nossas crianças um rico e nobre legado a aprender, acrescentar e fortalecer e passar à próxima geração.”


Linda Robertson, informa que “Kwanzaa é um feriado cultural que introduz e estabelece princípios e práticas designados a recapturar a essência dos nossos seres e dar as nossas crianças um sistema positivo de valores afrocêntricos para o futuro”.


Mais ensina-nos que “a palavra Kwanzaa origina da língua Swahili, Kwanza, que significa primeiro e é parte da frase Matunda Ya Kwanza (que significa primeiros frutos). A prática africana tradicional de reunir para celebrar a colheita dos primeiros cereais/frutos serviu como uma inspiração para o feriado Afro-americano. Dr. Karenga acrescentou o extra “a” a KWANZA para distinguir o feriado afro-americano da palavra africana, mas o mesmo concepto de reunião e celebração forma a base para a celebração de KWANZAA.”


Este artigo não esgota o Kwanzaa. É preciso, ainda, saber mais sobre os aspectos dos sete princípios (valores) sociais, os símbolos e as actividades cerimoniais de Kwanzaa, o cenário/ambiente, a fase de preparação (ex.: programa), a participação das crianças, e as actividades anuais, i. é., desenvolvidas durante todo o ano.



Kwanzaa, em cabo Verde, funcionaria, também, como momento e instrumento de União. Uma vez evidente o movimento, é fundamental munir-mo-nos de filosofias como o Kwanzaa para plenamente reviver a Unidade e, por conseguinte, a tão desejada Liberdade Africana.
*

«O maior tesouro da vida é encontrado na amizade nós fazemos ao longo do caminho».

Saiba mais: http://www.theblackcandle.com/
Tradução de Abeba. 14.02.2008 a 22.11.2009.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Somos aquilo que digerimos

Nós Não Somos
Aquilo que Comemos!
Somos,
Aquilo que Digerimos!


A doença vem do ventre, por isso o jejum é o melhor remédio.

O PROFETA MAOMÉ

É dificil para aqueles que comem carne aceitarem estes conceitos, não obstante inúmeros livros esclarecedores dos seus sentidos.
E quando concordam, erradamente acreditam que nós somos aquilo que comemos. Entretanto, estudiosos, investigadores e pesquisadores, todos concluiram que nós não somos aquilo que comemos, mas exactamente aquilo que digerimos.
A. I. Mossén no seu livro A Saúde pela Alimentação (ed. Bloch) pronuncia que a “alimentação não é a mesma coisa que nutrição”. Que o alimento é apenas um dos numerosos materiais e não o único, necessários ao processo da nutrição, assim como a água, o sol, o ar e a digestão, igualmente necessários.
Esclarece que “a nutrição é um processo vital (de crescimento, desenvolvimento e revigoração) exercido unicamente por órgãos vivos”. É uma função que engloba os alimentos, que sós não fazem o homem. Pois “não é o que comemos que nos fortifica, mas o que digerimos, absorvemos, assimilamos, e apropriamos”. E “ingerir não é sempre digerir.”
Os sentimentos de raiva, fadiga, anteriores à refeição, ou à má combinação de alimentos, efectivamente comprometem a digestão e consequentemente a nutrição.
Há um mês atrás, após seguir vários dias do programa “Mais saúde” emitido pela Televisão de Cabo Verde, procurei o endereço electrónico deste programa, mas não encontrei, pedi a uma das especialistas, nutricionista, convidada deste programa, para igualmente solicitar à apresentora do programa, para abordar o Vegetarianismo, uma vez que actualmente há muitos vegetarianos em Cabo Verde e da importância de sua divulgação pela sua origem e presença ancestral, ainda, Cura, mas até agora não obtive nenhuma resposta.
Logo, continua-se a não informação dos Caboverdianos. Comparecem neste programa nutricionistas que passam à família caboverdiana conceitos há muito ultrapassados, que comprovadamente servem apenas para fomentar o comércio. Isto porque os empresários do sector alimentar não estão preocupados com a nossa saúde, mas apenas pretendem convencer-nos a comprar cada vez mais os seus produtos.
Gasta-se balúrdios em publicidade e marketing, no uso de combinações de alimentos naturais e industrializados apenas para nos atrair, escamoteando-se, assim, a refinaria natural dos alimentos que é o nosso orgão digestivo, designadamente, a boca (mastigação), o estômago (suco gástrico) e os intestinos (sucos intestinais).

Imhotep Llaila Olela Afrika, consultor de saúde, acupuncturista, metafísico, massagista, ervalista, historiador, escritor, professor, astrologista, naturopata, alerta que “a alimentação contemporanêa é baseada em alimentos desnaturados, altamente refinados, processados, geneticamente alterados e artificialmente tratados por processos químicos”. Alimentos segundo ele mortos que não garantem a vitalidade do corpo humano.
O que Kevin Trudeau em Natural Cures, afirma ser porque “They” don´t want you to know about, pois It´s all about the money.
Mais alega o Kevin que “a indústria farmacêutica, a Comissão de Comércio, a Administração do sector Alimentar, como outros grupos, têm suprimido e escondido a cura natural (ervalismo)” motivados unicamente pelo dinheiro e poder.
E “a venda de produtos naturais iria diminuir (consideravelmente) o lucro deste negócio”, completa Llaila Africa.

Assim, a nossa missão é divulgar que os “nossos corpos precisam do sol, do ar, da água, da terra, das plantas (...) e “para facilitar a digestão, devemos sempre observar a combinação dos alimentos”.
Pois, ensina o supradito Mossén que “para recuperar e manter a saúde, temos necessidade, além de restabelecer a capacidade nutritiva, melhorar a digestão e a assimilação, ainda, de ar livre, sol, exercício, repouso suficiente, sono suficiente, equilíbrio emotivo, ausência de costumes desvitalizantes e enervantes.” Pois “o homem é a soma dos efeitos de todos os fatôres da vida. Ele não é o que come, como não é o que pensa. É, antes em grande parte, função da sua maneira de viver e das suas omissões.”

“As pessoas podem recuperar a saúde cessando de pecar contra o seu próprio corpo”.


E já é ultrapassado o momento de saber-mos isto.

Abeba

sábado, 21 de novembro de 2009

CONTRIBUIÇÃO (,) ALKEBULANO.

1. Povo uma pessoa sugeriu-nos a transformar o nosso blog em website. O que acham disso? É característica do blog durar mais para abrir. Contudo, eu gostei da experiência de criar um blog, de poder através dela transmitir, quase livremente, um pouco da visão e orientação afrocêntricas. Apesar de Website assustar pela sua maior dimensão, já dê-mos os primeiros passos para criá-lo.

2. Por o Website exigir mais colaboradores, se definitivamente optar-mos por ele, precisaríamos de mais contributos, por isto, deixamos neste artigo a possibilidade de tu, sim tu que estás a ler este artigo, dares a tua contribuição em benefício de Alkebulan.

Outra informação, brevemente a Waaldé divulgará aqui o seu mais novo (e também antigo) projecto de formação, educação, de pesquisa, afrocentrado, ou seja, centrado na história de Alkebulan (actualmente Africa).

Ainda, que no passado Setembro (2009) conseguimos, quatro jovens mulheres com capacidades e habilidades diferentes, organizar e realizar uma formação de produção e comercialização de doces, auto-emprego de, também, jovens mulheres, residentes na pobre localidade de Achadinha, mas de baixa-escolaridade e mães solteiras. Dezasseis mulheres aprenderam o que precisam para constituir uma cooperativa, a fazer doces caseiros, artesanais e de muita qualidade, a comercializar produtos (sob os princípios do comércio justo), entretanto, legando-as a responsabilidade e iniciativa de criar o seu próprio emprego. Um projecto sócio-económico de resultados contínuos.

Ababa Abenaa.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

QUÊNIA: ENTRE TRADIÇÕES E A GLOBALIZAÇÃO


Este artigo vem de encontro à vontade de um queniano de expressar algumas idéias sobre seu país natal, o qual espera que este texto seja bem elucidativo e esclarecedor sobre questões de suma importância.


Geografia Física e Política do Quênia
O Quênia é um país do leste africano, cujas fronteiras limítrofes são: Ao norte a Etiópia; Ao nordeste a Somália; Ao leste o oceano Índico; Ao sul a Tanzânia; À oeste a Uganda e o lago Victória (lago este de grande importância por fazer fronteira com três países – Quênia, Tanzânia e Uganda); E ao noroeste o Sudão. Sua latitude fica entre 5º ao norte e 5º ao sul do Equador e sua longitude entre 30º e 45º a leste do meridiano de Greenwich.

Mapa do Quênia
Sua capital é Nairóbi (ao centro do país), mas a cidade queniana mais importante é Mombasa (devido ao turismo), localizada no litoral sul. O Quênia possui uma população de trinta e cinco milhões de habitantes. Sua área é de 582650 quilômetros quadrados e, no entanto, sua população não se distribui uniformemente, mas se concentra entre o sul e o centro do país, sendo o norte a região menos povoada.

Sua geografia física é bem variada, sendo sua divisão muito marcada pela linha do Equador. O relevo acima da linha do Equador tem planícies enquanto que ao sul temos montanhas, com seu maior pico no monte Kilimanjaro, com 5895 metros (inclusive este é o pico mais alto da África. O Kilimanjaro faz fronteira entre o Quênia e a Tanzânia), e o segundo é o monte Quênia, com 5199 metros. O clima ao norte, o interior do país, é árido (quente e seco), enquanto que ao sul, região litorânea, é tropical (quente e úmido no verão, frio e úmido nas demais estações do ano).
Mapa físico do Quênia
Sua flora ao norte é de savana (vegetação africana parecida com a caatinga brasileira composta de gramíneas e arbustivas associadas a poucas árvores pequenas, retorcidas e de folhas caducas e cascas grossas), onde se abrigam elefantes, rinocerontes, hipopótamos, girafas, búfalos, antílopes e gazelas (grandes mamíferos herbívoros), assim como leões, leopardos, hienas e chacais (carnívoros). Ao sul temos uma selva equatorial, densa, frondosa e exuberante (conhecida como Taita Taveta), que é habitat de inúmeras espécies de aves, símios (chimpanzés e gorilas), répteis, anfíbios e insetos.
História sucinta do Quênia
Na bandeira queniana, o preto representa nossa cor, o vermelho é o sangue de nossos antepassados, o verde representa nossa terra, as listras brancas significam a esperança na paz e as armas tradicionais ao centro as ferramentas de combate ao domínio britânico.

O Quênia, enquanto país, é uma construção política decorrente de sua colonização britânica (iniciada durante o século XIX e somente terminada em 1963), responsável pelas fronteiras que hoje conhecemos, com o intuito de dividir etnias aliadas e unir rivais. Assim, sua população se enfraqueceria entre disputas internas e os colonizadores teriam maior facilidade em explorar suas riquezas naturais. Porém, os primeiros homens brancos a chegar às terras quenianas foram os expedicionários alemães (em 1885), mas não tiveram interesses coloniais, o que deu oportunidade à Inglaterra de iniciar sua colonização de exploração em 1890.

Devemos nos lembrar que os mais recentes estudos apontam para a África como o berço de todas as civilizações, onde surgiram os primeiros Homo sapiens, sendo que os fósseis mais antigos de Homo habilis e Homo erectus, datados de dois milhões e seissentos mil anos, foram descobertos na região do lago Turkana, ao norte do Quênia. Logo, cada etnia africana (o que inclui as quenianas) tem uma história milenar, muito mais antiga do que as dos colonizadores europeus, que pouco se importavam para a cultura africana e só estavam interessados na exploração econômica destes povos.

A humanidade tem suas raízes mais profundas na África, o berço de toda a civilização
Anteriores à colonização branca, as tribos eram agrupamentos populacionais de cultura muito rica, onde os anciãos eram seus líderes naturais, escolhidos por serem os portadores de uma grande sabedoria (inclusive porque a cultura de suas tribos é predominantemente oral, ou seja, como sua história não constava em livros, são os idosos os verdadeiros portadores da história de seu povo), de uma maneira próxima ao que conhecemos das tribos indígenas brasileiras. A natureza era tratada com respeito e o homem se enxergava como parte de um todo, não como um ser superior com o direito de explorar o que quisesse sem a menor responsabilidade. São mais de cinqüenta tribos presentes no Quênia, divididas entre sete etnias distintas. Nestas tribos, a divisão do trabalho destinava às mulheres a agricultura e a pecuária (apenas para própria subsistência), os afazeres domésticos, o abastecimento de água (juntamente com as crianças) e a culinária. Aos homens cabia unicamente à caça, enquanto que a educação das crianças era responsabilidade dos idosos.

A colonização inglesa iniciou-se, como já dito anteriormente, em 1890, onde os britânicos obtiveram minerais preciosos (inclusive quase esgotando todas as reservas de ouro), recursos naturais (madeiras e especiarias) e escravizaram nossa população. Isto perdurou até o início da década de 1950, quando surgiram movimentos de libertação do povo queniano, sendo o principal um movimento da tribo Gikuyu (de etnia Kikuyu) denominado Mau Mau (Burning Spears).

Inúmeras vidas foram dedicadas pela liberdade de um povo que muito sofreu com a exploração branca, e a conseqüência destes atos heróicos foi que, em 1963, os britânicos foram expulsos das terras quenianas. No dia 12 de dezembro de 1963, a Inglaterra reconheceu a independência do Quênia.

Um dos principais líderes do movimento Mau Mau, Mzee Jomo Kenyatta, se tornou símbolo da luta libertária de seu povo (assim como Nelson Mandela e Steve Biko foram para a África do Sul) por ter sido preso e torturado durante sua jornada em busca de igualdade e respeito à sua população. Em 1964, Mzee Kenyatta foi nomeado o primeiro presidente do Quênia pelo partido KANU (Kenya African National Union, ou União Nacional do Quênia africano).
Política contemporânea do Quênia
Mzee Kenyatta foi presidente até sua morte, em 22 de agosto de 1978. Seu vice, Daniel arap Moi, da tribo Turgen (etnia Kalenjin), assumiu o cargo pouco após a morte de Mzee Kenyatta, no dia 14 de outubro de 1978 e manteve o posto com mãos de ferro até 2002 (pelo partido KANU).

Nesse tempo, crises afetaram o país devido à postura ditatorial de Moi, tendo seu ápice no final da década de 1980, com lutas sangrentas entre as tribos Gikuyu e Turgen. Tais conflitos tomaram proporções gigantescas, principalmente quando as etnias uniram diversas tribos, Kikuyu contra Kalenjin, colocando mais de setenta porcento da população em conflito. Em 7 de Julho de 1991 aconteceu uma assembléia que reuniu os descontentes com o governo Moi, onde o povo clamava por democracia. Moi mandou impedir tal assembléia utilizando-se da força policial, o que gerou o massacre mais sangrento da história do país. Os policiais reprimiram o movimento usando de força bruta, o que causou milhares de mortes e inúmeros feridos.

Após todas estas mobilizações, Moi aceitou fazer eleições diretas em 1992. No entanto, seja pela oposição ao governo estar dividida em onze partidos (o que enfraqueceu seus resultados nas urnas), seja pelo controle do processo eleitoral ser feito pelo próprio Moi (com abuso de fraudes), foi assim garantida sua continuidade no governo até 1997, quando Moi repetiu seu processo maquiavélico de fraude, somado ao agravante da oposição de dividir agora em vinte e seis partidos (o que a enfraqueceu mais ainda). Assim, mais uma vez houve continuidade de sua ditadura não oficializada até 2002.

Neste ano, a constituição impediu o presidente Moi de ser candidato novamente. Ele indicou Uhuru Kenyatta (filho do primeiro presidente, Mzee Kenyatta) como novo candidato do partido KANU. Os 10 maiores partidos de oposição se uniram em uma única legenda, denominada NRC (National Rainbow Coalition, ou Coalizão Nacional do Arco-íris). Seu candidato, Mwai Kibaki (da etnia Kikuyu) enfrentou o candidato Uhuru Kenyatta. Mwai Kibaki, que já era um dos vices-presidentes na época do Moi, foi eleito e hoje é o presidente do Quênia, após 24 anos de ditadura Moi.

É claro que Moi não manteve o poder sozinho, mas graças ao apoio de milionários estrangeiros, que colaboravam para sua permanência no governo com o financiamento de suas falcatruas, tendo visibilidade no escândalo de Goldenberg, onde foi descoberto que o governo vendeu ouro nacional a estrangeiros, numa soma equivalente a bilhões de dólares, para uso pessoal dos governantes. Tal escândalo não se resolveu até hoje e o caso ainda circula pelos tribunais.

Economia do Quênia
A moeda oficial do Quênia é o Shilling (nome de origem inglesa).

Os principais produtos agrícolas quenianos são chá, café, milho, trigo, laranja, banana, abacaxi, abacate, girassol, soja, sisal, algodão, coco, cana-de-açúcar, batata, tomate, cebola, arroz, feijão, mandioca e caju. Nossa pecuária tem como predominante a cultura de bovinos, suínos e caprinos, além de piscicultura e avicultura (ou seja, vacas, porcos, cabras, peixes, galinhas, perus, patos, gansos e pavões). Nossos minerais extraídos são a pedra calcária, soda cáustica, ouro, sal e flúor.

A indústria queniana produz plásticos, refino de petróleo, artefatos de madeira, tecidos, cigarros, couro, cimento, metalurgia e comida enlatada. O turismo também rende bons lucros, principalmente em Mombasa (litoral) e na savana queniana (interior). A exportação é forte em chá e café, enquanto que importamos maquinários, alimentos, equipamentos de transporte e petróleo (e seus derivados).

O lago Nakuru, habitat natural de flamingos, é um dos pontos turísticos mais importantes, próximo a capital Nairóbi.

O principal problema econômico do Quênia hoje é o alto índice de desemprego, sendo que metade da população economicamente ativa se encontra desempregada, enquanto que mais da metade dos quenianos empregados recebe salários baixíssimos (de oitenta a cem dólares, ou quase duzentos e setenta reais). Outro problema sério que enfrentamos é alta corrupção, sonegação de impostos pela classe economicamente alta (enquanto que os verdadeiros encargos pesam no bolso dos mais pobres, isto é, a maioria do país) e desvio de verbas públicas, principalmente nos investimentos ligados ao transporte e infra-estrutura viária.
Cultura do Quênia
A língua oficial do Quênia é o inglês, mas fora das salas de aula, o idioma dominante é o Swahili, uma junção do árabe com a língua dos bantus. O Swahili é tão importante que é utilizado em vários países do leste africano, como Uganda, Tanzânia, norte do Moçambique e sul da Somália (o que facilita inclusive os negócios entre tais países). Por esta abrangência de domínio da língua Swahili, dá para se perceber o quanto que a língua inglesa é uma imposição da cultura branca. Cada tribo tem seu próprio dialeto como característica de sua cultura regional, o que faz do Quênia uma nação com mais de cinqüenta dialetos.

Em Quénia, os jovens do sexo masculino passam por um ritual de aceitação para a fase adulta. Este processo varia de tribo para tribo, mas acredito que o caso mais interessante é o da tribo Maasai (de etnia Kalenjin), uma das mais tradicionais que ainda mantém suas raízes fortemente: o jovem maasai para ser aceito como adulto deve combater um leão até a morte utilizando apenas uma espada, sem qualquer tipo de escudo, muito menos armas de fogo. Já a maioria das tribos, como os Kikuyus, por exemplo, utiliza-se de rituais mais simples, como a circuncisão. As garotas também tinham seu processo de iniciação da fase adulta, que consistia na amputação do clítoris para restringir a vontade e o prazer sexual após o casamento, mas hoje em dia esta prática está em desuso, devido aos princípios de direitos humanos em questões de gênero serem mais discutidos, mesmo nas tribos mais isoladas.

A religião é variada e rica: Nas tribos mais tradicionais, ainda se tem a religião politeísta relacionada com a natureza, isto é, deuses da chuva, da seca, do Sol, da terra, da água, etc; Por outro lado, a colonização trouxe o cristianismo presente no catolicismo, protestantismo e até o satanismo. O casamento, tanto nas cidades grandes como nas tribos mais remotas, funciona da mesma maneira: é tradicional a poligamia, isto é, um homem pode ter várias esposas, assim como uma mulher pode ter vários maridos. No Quênia, ao se acertar o casamento, o chefe de família - aquele (ou aquela) que terá vários cônjugues - é quem oferece o dote ao sogro.
Em cada região do interior, cada tribo ensina a suas crianças seu folclore, suas lendas e tradições, logo, pela grande quantidade de tribos, torna-se impossível listar aqui cada um dos folclores tradicionais. Nas escolas das grandes cidades quenianas, como são presentes várias tribos e etnias, não se ensina as peculiaridades de cada uma, mas a cultura do branco britânico (que ficou como herança da colonização). O que vejo como desvantagem, pois assim a cultura tradicional vai se perdendo e as futuras gerações vão pouco se importar para a verdadeira história de seu povo.
A culinária é tão rica quanto o folclore, tendo sua variação tão numerosa quanto nossas tribos. Dependendo dos produtos alimentícios mais representativos de cada região, a alimentação será mais influente neste aspecto. Por exemplo, ao norte do país, por causa da região árida, a caça é muito praticada, assim sua alimentação é rica em carne. Ao sul, por existir uma grande produção de caju, a castanha deste fruto é a base de muitos alimentos. Em grandes cidades, come-se de acordo com o dinheiro que se possui. Como a carne de frango é muito cara, a alimentação mais barata tem por base carne bovina e arroz.

No esporte, com exceção do basquete (praticado não profissionalmente) não temos a tradição de esportes coletivos (como o futebol): O Quênia mostra sua força através dos esportes individuais, como o atletismo, onde os Kalenjins são grandes representantes, principalmente entre os velocistas. Outros esportes muito praticados são o rugby e o cricket. Os jogos mais tradicionais são o xadrez, o scrabble (jogo de palavras cruzadas), jogos de dados e o monopoly (tipo de “jogo da vida”).

Na arte queniana, não se tem o costume de valorizar um artista em particular: a produção fica, assim, coletiva. E, da mesma maneira que a culinária e os dialetos, cada tribo tem sua cultura característica, o que faz do Quênia uma nação artisticamente muito variada. Nas cidades grandes, a globalização altera a arte, de maneira que os expoentes estrangeiros são muito mais influentes que os quenianos. Antigamente a maior tendência era a britânica, mas hoje surge um surto de influências japonesas de grande importância.
Na arte queniana, é notável a característica coletiva acima de nomes individuais de artistas.

Desta maneira, este queniano ressalta o valor de seu país, pois segundo o mesmo se não acharmos uma identidade forte que dê orgulho ao nosso povo, podemos sofrer um etnocídio perante uma globalização tida como positiva, mas que realmente não é neutra, muito menos boa – ou se tem cuidado ao se inserir no processo global, ou perderemos nossas raízes em pouquíssimo tempo.

Fonte: cdcc.sc.usp.br

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mais legado de Orgulho e Unidade

Coroado rei (negus) em 1928 e proclamado Imperador da Etiópia no dia 2 de novembro de 1930, Sua majestade, Haile Selassie I, o 225 descendente do Rei Salomão e da Rainha de Sabá, assim recebeu oficialmente os títulos sagrados escritos no Kebra Nagast - o poder da Trindade, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judah, eleito de JAH e luz do mundo - que foram reservados para os adventos da segunda vinda de Cristo.

O Imperador e Rei Haile Selassie I, fez muitas obras sociais e políticas, uma série de reformas na Abissínia, como a abolição dos escravos, construção de rodovias, escolas, hospitais, o Banco da Etiópia, uma nova moeda, aeroporto internacional, apoio para estudantes que queriam estudar no estrangeiro, a primeira Constituição escrita da Etiópia e uma Assembleia Nacional, através do voto directo. Em 1963 ele foi o principal líder na criação da Organização da Unidade Africana, ora com sede em Addis Ababa (capital da Etiópia). Mais guardou toda a cultura Cristã Ortodoxa, além de criar a Liga das Nações.
Nos seus vários discursos para a humanidade, nomeadamente “Enquanto existir uma raça superior e outra inferior, cidadãos de classe A e B, não haverá Paz na Terra”, evidencia que a Raça mais importante no mundo é a Humana.
*
Coroado no trono Salomônico na Catedral de São Jorge, Addis Ababa, como Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judah, sentada ao seu lado estava sua bela rainha negra, Imperatriz Menen, juntamente com a jovem princesa Asfa Wossen e Makonnen.

Descendente do Profeta Maomé, assim como da linhagem de Davi, Menen era bisneta do Imperador Menelik II, o forte, reformando a monarquia que governava a Etiópia na secunda década do século XX. Em toda a realeza de sua postura, abdicação do centro de sua grande família, ela acreditava devotamente nos ensinamentos da Igreja Ortodoxa Etíope, uma fé que ela não abandonou nem mesmo nos tempos de grandes dificuldades tal como os anos de exílio na Bretanha (1936-41).

Em sua coração, Haile Selassie I quebrou uma antiga tradição que foi um dos mais cruciais rompimentos de sua era. Não era permitido que a Imperatriz fosse coroada no mesmo dia que o Imperador. Mas, determinado a criar uma base de igualdade para sua união, o Imperador insistiu que a Imperatriz fosse coroada juntamente com ele.

Um só amor, um coração, um só destino, um só Deus.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

You Are Being Lied to About Pirates

Somália é um país que há quase duas décadas carece de polícia costeira, desde que as guerras civis (induzidas pelas grandes potências) fizeram colapsar seu sistema de governo, a partir do que começaram a aparecer misteriosos barcos europeus descarregando enormes barris no oceano com material nuclear e metais pesados. A maior parte deste material pode ser rastreado em hospitais e fábricas européias, onde é entregue à máfia italiana para fazê-lo sumir a um baixo custo. Ao mesmo tempo, outras naves européias têm saqueado a biodiversidade dos seus mares. Os barcos exploradores que pescam ilegalmente nos mares desprotegidos da Somália roubaram milhões de dólares anuais de atum (o valor de cada atum supera os 300 dólares), camarão, lagosta etc. Os pescadores locais perderam repentinamente o sustento. Neste contexto apareceram os homens que têm sido chamados de “piratas”, os quais recebem o apoio esmagador da população. Os “piratas” do subdesenvolvimento e a miséria estão se transformando num novo objectivo militar que tira a Real Marinha Inglesa do tédio e as ociosas forças navais de uma vintena de nações poderosas, dos Estados Unidos à China.
Leia e saiba mais:

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Comércio de carbono expulsa povos tradicionais

Diante da preocupação com a mudança climática, a comunidade internacional promove negócios de redução das emissões de gases de efeito estufa que levaram à expulsão de indígenas de suas terras ancestrais em Uganda.
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Quioto, assinado em 1997 e em vigor desde 2005, permite que os países industrializados invistam em projetos que reduzam os gases de efeito estufa em nações pobres em vez de diminuir suas próprias emissões.
O comércio de dióxido de carbono foi criado para promover a responsabilidade ambiental desde uma perspectiva de lucro. As empresas que liberam gases de efeito estufa podem optar por reduzi-los ou comprar um direito de continuar contaminando. Os seis gases de efeito estufa contemplados pelo Protocolo de Quioto, aos quais a maioria dos estudiosos atribuem o aquecimento global são dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hexafluoreto de enxofre, hidrofluorocarbonetos, perfluorocarbonetos, A Organização das Nações Unidas acredita que o mercado de carbono é um sistema eficiente para o capital ajuda a reduzir os gases nocivos.
Dentro do MDL admite-se dois tipos de projetos florestais para absorver os gases de efeito de estufa: replantar áreas desmatadas e plantar áreas que há mais de 50 anos não têm florestas. Uma dessas iniciativas implementadas em Uganda causou grande controvérsia. O projeto foi iniciado pela organização holandesa Forests Absorbing Carbon-Dioxide Emissiones (Face – Florestas para absorver dióxido de carbono) expulsou a comunidade benet de seus territórios ancestrais onde se pretendia plantar arvores.
A Fundação colabora com a Autoridade de Fauna e Flora de Uganda (UWA) no plantio de árvores no Parque Nacional Monte Elgon na região leste do país.A Fundação participa do plantio de 25.000 hectares de árvores para absorver dióxido de carbono e, assim, compensar a contaminação por uma nova centra térmica movida a carvão para gerar 600 megawatts de eletricidade na Holanda. A instituição emitirá certificados de redução de carbono das árvores plantadas que venderá à empresa holandesa GreenSeat, dedicada a negociar créditos de carbono de seus clientes no Norte rico, especialmente companhias aéreas.
GreenSeat, por exemplo, calculou no início do ano passado com US$ 28 se cobre os custos de plantar 66 árvores, que "compensam" as emissões de dióxido de carbono da viagem de um avião entre a Frankfurt a Kampala. O projeto tem uma duração garantida de 99 anos, mas as comunidades indígenas da montanha são totalmente contrárias a ele. A expulsão causou um sofrimento indescritível para os moradores da área, transformados em ocupantes ilegais que perderam suas terras e outros pertences nas mãos de guardas florestais, disse à IPS Moisés Mwanga, presidente do Grupo de PRESSÃO Benet, que defende os direitos dessa comunidade.
Há pessoas que vivem em condições terríveis. Muitos funcionários vieram quando do lançamento do projeto, mas isso não ajudou. Já passou um ano e continuamos sofrendo abusos por parte dos guardas florestais da UWA", ressaltou Mwanga. "Nos detêm quando buscamos bambu, que precisamos para sobreviver, ou levamos animais para pastar, ou se queremos extrair mel. Algumas pessoas inclusive perderam a vida ", acrescentou. Mwanga insistiu que foram expulsos de suas casas em áreas que foram florestados. "Quando você fala em floresta, dá a impressão que ele os benets entraram procedentes de outro lugar. Mas a história é outra. Somos um povo indígena que vive no Monte Elgon desde tempos imemoriais", afirmou. "É a nossa casa, e não uma floresta", destacou.
"O governo decidiu em 1993 que o local deveria se tornar um parque nacional sem o nosso conhecimento. Não gostamos que digam que estamos em uma floresta, porque é o nosso lar, sempre foram cometidas injustiças", acrescentou. Em 1993, um ano antes do início do projeto da UWA e da Fundação Face, o governo de Uganda declarou o Monte Elgon parque nacional, e desde então a população que permaneceu dentro de seus limites perdido os direitos às suas terras.
Mas o chefe da UWA em Mount Elgon, Richard Matanda, negou que a expulsão dos Benets tivesse algo a ver com o projeto da Fundação Face. "Essas pessoas invadiram a floresta que devemos preservar. Eles foram levados para ser possível plantar árvores e ajudar a conservar a fauna e a flora. Tudo o que fazemos na área, inclusive despejos, devem seguir os princípios de uma gestão responsável e as leis de Uganda", disse. O MDL, em 2008, gerou US$ 32.000 bilhões em certificados de emissões de redução de todo o mundo, o dobro de 2008, segundo a consultoria Point Carbon, sediada em Oslo. IPS/Envolverde.
Por Michael Wambie in Casas de África.