quarta-feira, 27 de maio de 2009

Personalidades Históricas

Compilado e editado por Phillip True, Jr.
Akhenaton (1375-1358 B.C.)

Amenhotep IV, mais conhecido como "Akhenaton, o "Rei Herético, com o devido respeito, o mais notável dos Faraós.

Depois da morte do seu pai, ele tornou se o num líder com todo o poder absoluto sobre o Egipto e tomou o nome de Akhenaton. Ele produziu um profundo efeito no Egipto e o mundo inteiro nos dias dele.

Trezentos anos antes de Cristo, ele pregou e viveu o evangelho de amor-perfeito, fraternidade, e verdade. Dois mil anos antes de Maomé, ele ensinou a doutrina de "Um Deus." Três mil anos antes de Darwin, ele sentiu a unidade que ligava todas as coisas vivas.

A narração de Akhenaton não ficara completa sem a história da bonita esposa dele, Nefertiti. Alguns arqueólogos referiram a Nefertiti como a irmã de Akhenaton, alguns disseram que eles eram primos. O que é conhecido é que a relação entre Akhenaton e Nefertiti foi uma das primeiras histórias de amor e o mais conhecido na história.



Com a inspiração no Akhenaton e Nefertiti, os escultores e os artistas começaram recrear a vida no seu estado natural, em vez das formas rigorosas e inanimadas no início da arte egípcia.


Traduzido por Kwabena.

ILHA

Tu vives — mãe adormecida —
nua e esquecida,
Seca,
Fustigada pelos ventos,
ao som de músicas sem música
das águas que nos prendem…

Ilha:
teus montes e teus vales
não sentiram passar os tempos
e ficaram no mundo dos teus sonhos
— os sonhos dos teus filhos —
a clamar aos ventos que passam,
e às aves que voam, livres,
as tuas ânsias!

Ilha:
colina sem fim de terra vermelha
— terra dura —
rochas escarpadas tapando os horizontes,
mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!

Um poema de Amílcar Cabral Praia, Cabo Verde, 1945

Publicado por: Kwabena

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Conceito de Divindade

Por John Henrik Clarke

Para manter as pessoas na opressão você tem que convencê-las primeiro que elas são supostos a ser oprimidos.
Quando o europeu vai a um país, a primeira coisa que ele faz é rir do seu Deus e do seu conceito de Deus. E de seguida é lhe fazer rir sobre o seu próprio conceito de Deus.

Então ele não precisa de construir nenhuma prisão para você, porque ele colocou-te numa prisão com mais armadura que as grades alguma vez te colocou. Todas as vezes que você ignora o teu próprio conceito de Deus, já não és um homem livre. Ninguém precisa de colocar corrente no teu corpo porque a corrente está na tua mente.

Todas as vezes que alguém diz que o teu Deus é feio e abandonas teu Deus e unes com o Deus deles, já não há nenhuma esperança para a tua liberdade até que voltes a acreditar no teu próprio conceito de Divindade.

E é assim que caímos numa emboscada. Fomos educados para acreditar no conceito de divindade de uma outra pessoa, e no padrão de beleza de outra pessoa. Tens direito de praticar qualquer tipo de religião e politica de uma forma digna e que satisfaz a tua liberdade, dignidade e o teu entendimento. Uma vez que estás a fazer isso, não tens que justificar.


A mente Europeia sempre planeou em fazer qualquer coisa que facilitasse o controle do Europeu por todo o mundo. Qualquer coisa que obténs da Europa e que vais usar para ti, corrigi – o para adaptar a si mesmo.

Educacionalmente onde é que fomos mal? Depois da guerra civil (nos estados unidos da américa – grifo nosso), o período chamado de reconstrução, o período de pseudo-democracia, nós começamos a ter nossas próprias instituições, nossas próprias escolas. Nós não tivemos nenhum modelo de papel para uma escola,... nosso próprio modelo de papel. Assim começamos a imitar as escolas Brancas.

Nossa igreja era uma imitação da igreja branca. Tudo que nós fizemos foi modificar a velha armadilha. Nós não mudamos as imagens, nós ficamos mais confortáveis dentro da armadilha. Nós não mudamos as imagens, nós mudamos alguns dos conceitos das imagens, mas as imagens permaneceram o mesmo. Assim a má-educação deu – nos uma mentalidade de escravo que tinha sido alterado. Mas permaneceu basicamente o mesmo."

Traduzido por Kwabena

domingo, 10 de maio de 2009

Sabiam que no dia 16 de Junho de 2008 ...

No uso da faculdade conferida pela Constituição da República de Cabo Verde, o Governo de Cabo Verde decretou (Decreto n.º 4/2008) a aprovação da CONVENÇÃO PARA A SALVAGUARDA DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL.

A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em sua 32.ª sessão, realizada em Paris do dia 29 de Setembro ao dia 17 de Outubro de 2003, aprova a referida Convenção,

Referindo-se aos instrumentos internacionais existentes em matéria de direitos humanos, em particular à Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, ao Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966, e ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de 1966,

Considerando a importância do património cultural imaterial como fonte de diversidade cultural e garantia de desenvolvimento sustentável, conforme destacado na Recomendação da UNESCO sobre a salvaguarda da cultura tradicional e popular, de 1989, bem como na Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural de 2001 e na Declaração de Istambul de 2002 aprovada pela Terceira Mesa Redonda de Ministros da Cultura,

Considerando a profunda interdependência que existe entre o património cultural imaterial e o património material cultural e natural,
Reconhecendo que os processos de globalização e de transformação social, ao mesmo tempo em que criam condições propícias para um diálogo renovado entre as comunidades, geram também, da mesma forma que o fenômeno da intolerância, graves riscos de deteriorização, desaparecimento e destruição do património cultural imaterial, devido em particular à falta de meios para sua salvaguarda,
Consciente da vontade universal e da preocupação comum de salvaguardar o património cultural imaterial da humanidade,
Reconhecendo que as comunidades, em especial as indígenas, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos desempenham um importante papel na produção, salvaguarda, manutenção e recriação do património cultural imaterial, assim contribuindo para enriquecer a diversidade cultural e a criatividade humana,
(...)
Considerando a necessidade de conscientização, especialmente entre as novas gerações, da importância do património cultural imaterial e da sua salvaguarda,
(...)
Considerando a inestimável função que cumpre o património cultural imaterial como factor de aproximação, intercâmbio e entendimento entre os seres humanos.

***
A Convenção tem a finalidade (artigo 1) de salvaguardar o património cultural imaterial; o respeito ao património cultural imaterial das comunidades, grupos e indivíduos envolvidos; a conscientização no plano local, nacional e internacional da importância do património cultural imaterial e de seu reconhecimento recíproco.
***
Entende-se por património cultural imaterial (artigo 2) as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objectos, artefactos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu património cultural. Este património cultural imaterial, que se transmite de geração em geração, é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade e conrtibuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana. Para os fins da Convenção, será levado em conta apenas o património cultural imaterial que seja compatível com os instrumentos internacionais de direitos humanos existentes e com os imperativos de respeito mútuo entre comunidades, grupos, indivíduos, e do desenvolvimento sustentável.

O património cultural imaterial se manifesta em particular nas tradições e expressões orais, incluindo o idioma como veículo do património cultural imaterial; expressões artísticas; conhecimentos e práticas relacionados à natureza e ao universo; técnicas artesanais tradicionais.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Campo de Concentração do Tarrafal (1936 -1974)

Nos últimos dias da semana passada, na ilha de Santiago, no Tarrafal, aconteceu o Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal, onde estiveram centenas de antifascistas portugueses e presos nacionalistas africanos. O simpósio teve a presença de quase todos os sobreviventes do Campo de Concentração, vindos de Portugal, de Angola, da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

Seguiram-se os debates, agrupados por quatro painéis temáticos: a geração da utopia e o dever da memória; os ideais e os princípios; cidadania e direitos humanos; e, finalmente, que futuro para o Campo do Tarrafal?

Para além dos trabalhos do simpósio estava patente uma completa exposição sobre o que foi o Campo da Morte Lenta, como lhe chamaram, do Tarrafal.

Criado em 1936, em vésperas da guerra de Espanha, quando o regime salazarista se tornou mais duro e repressivo, alinhando completamente com a ascensão do fascismo, do nazismo e do franquismo. Foram anos horríveis.

Foi nominalmente extinto em 1954 e, depois, reaberto, com a vinda de presos nacionalistas africanos de Angola, de Cabo Verde e da Guiné, até ao Primeiro de Maio de 1974, em que foi finalmente encerrado, pelo povo cabo-verdiano, dias após a Revolução dos Cravos.
Quanto ao futuro, para não deixar apagar a memória e para conhecimento e compreensão dos vindouros, a ideia principal é transformar o campo - conservando o seu carácter desértico, inóspito e insalubre, para onde os prisioneiros eram remetidos para não resistir e morrer - num museu, testemunho da resistência e da liberdade e ao mesmo tempo, num centro internacional de pesquisa e de reflexão sobre as independências dos Estados africanos, do espaço da lusofonia, incluindo Timor-Leste.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Curso de Reciclagem


Despertar a consciência ecológica e a criatividade livre são alguns dos objectivos que a Waaldé pretende com a formação de reciclagem dirigida a algumas crianças do bairro da Achadinha. Durante o mês de Abril, todos os sábados as crianças são orientadas por alguns membros da Waaldé.

Num momento em que deparamos com um agravamento da situação ambiental, é necessário e urgente que as crianças sejam instruídas desde a base. Pequenos e insignificantes objectos, a priori, são transformados em objectos interessantes e úteis. Fazer presentes para si ou para alguém de quem gosta, mas mais importante do que isso é ensinar aos mais pequenos que a cada um de nós cabe a responsabilidade de contribuir para um meio ambiente mais saudável.
Momentos únicos de transformação de pacotes de leite, sumos e outros, para além do exercício mental e da criatividade.

Acções deste género têm integrado os planos de actividade da Waaldé que entende que devem ser levadas adiante sempre que possível. Pois é desde pequeno que devemos atiçar nas pessoas as boas acções. A Waaldé não pretende parar por aqui e quer continuar a dar o seu contributo na preservação da natureza. Agir hoje, pensando no amanhã.

Ama

sábado, 25 de abril de 2009

Zimbabueanos: preocupados que a ajuda tenha condições

Harare - A ajuda com condições frequentemente não se traduz em melhoria das vidas das populações para quem esse dinheiro foi ostensivamente obtido em primeiro lugar. A maior parte do capital recebido sob a forma de ajuda é utilizado para pagar as dívidas pendentes aos doadores ocidentais.Estas foram as opiniões dos participantes numa conferência da Coligação sobre Dívida e Desenvolvimento do Zimbabué (ZIMCODD) que teve lugar na semana passada em Harare. A ZIMCODD é uma organização da sociedade civil que trabalha em prol da justiça social e económica.A conferência foi convocada para discutir de que forma se pode estimular a economia zimbueana quando houver um acordo político da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) para aquele país.Já existem rumores de uma superabundância de doadores prontos a oferecer ajuda ao novo governo de unidade nacional do Zimbabué. Mas o país ainda se debate com reembolsos de dívida que remontam a 1980, quando obteve independência da Grã-Bretenha.Alguma desta ajuda foi recebida durante a década de 90 através do desastroso Programa de Ajustamento Estrutural Económico (ESAP) e teve como resultado a crescente dívida externa do Zimbabué, que alegadamente ascende a 4.9 mil milhões de dólares, de acordo com estatísticas da organização sueca de solidariedade Grupos da Suécia em África (AGS).Apresentando uma comunicação intitulada ‘‘Panoramas para a Ajuda, Perspectivas para o Zimbabué’’, Vitalice Meja do Fórum e Rede Africanos sobre Dívida e Desenvolvimento (AFRODAD) defendeu que, devido às condições que acompanham o dinheiro da ajuda, os governos africanos acabam por utilizar apenas um quarto do dinheiro recebido ao passo que pagam quatro vezes mais do que aquilo que foi recebido.O AFRODAD é uma organização da sociedade civil preocupada com o fardo da dívida africana.‘‘A ajuda continua a ser condicional e, em resultado, os governos africanos acabam por receber apenas cerca de 37 por cento do montante original, portanto qual é a vantagem?’’ perguntou Meja.Referiu que a sociedade civil tem um papel importante a desempenhar nas futuras relações dos doadores com qualquer novo governo do Zimbabué. ‘‘Precisamos de desmistificar a visão da ajuda como caridade. Não o é, mas continua a ter um papel a desempenhar neste país. Por exemplo, são necessários mais de 11.7 mil milhões de dólares para reabilitar as estradas e garantir o fornecimento adequado de água – que são alguns dos componentes principais de uma recuperação.‘‘Mas de onde é que virá todo esse dinheiro?”Meja exigiu que se repensasse este assunto: ‘‘Chegou a altura de dizermos párem de nos dar a vossa ajuda, já não a queremos. Os países africanos são exportadores líquidos de capital. Estes doadores devem ser vistos como aquilo que são – criminosos. Porque 95 por cento do capital africano vão para o Ocidente a título de pagamento de dívidas.’’Sublinhou que, se os governos africanos vierem a recusar ajuda, antes disso devem criar-se políticas económicas sólidas. Disse ainda que outros Estados no Sul, como o Chile e a Argentina, confrontaram este sistema injusto mas certificaram-se que tinham o enquadramento para as políticas macroeconómicas no seu devido lugar.Acrescentou que, em vez de tentar atrair investimento directo estrangeiro dos países ocidentais, os países africanos deviam atrair investidores africanos da Diáspora.Dennis Kellecioglu, economista junto da organização Grupos da Suécia em África (AGS), tem uma opinião diferente da de Meja, dizendo que os países africanos como o Zimbabué não se podem dar ao luxo de repudiar a ajuda estrangeira, porque nem toda a ajuda é má.‘‘Como Africanos, temos de perguntar se temos meios para fazer isso se ainda tivermos uma ajuda boa. Por exemplo, esta reunião foi paga com dinheiro proveniente de ajuda. Estamos a almoçar bem, o local da reunião está pago e estamos a desenvolver capacidades com dinheiro proveniente de ajuda. Não se trata de boa ajuda?’’A ajuda para África é frequentemente um ponto de debate. Muitos pensam que é desperdiçada por governos corruptos ou gasta em projectos que fracassam. É inegável que, ao longo dos anos, muita ajuda estrangeira não foi usada tão eficazmente como poderia ter sido. Mas a ajuda pode fazer uma grande diferença nas vidas de mulheres e homens que vivem na pobreza.Moçambique foi em dada altura o país mais pobre do mundo, mas tem progredido na senda do crescimento sustentável, graças à ajuda.Ao longo dos anos, a ajuda tem sido usada como peão politico no xadrez da Guerra Fria e também para promover modelos económicos específicos. Através daquilo que é habitualmente conhecido como o ‘‘Consenso de Washington’’, doadores, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional impuseram cortes na despesa pública.Ao mesmo tempo, encorajaram os governos a liberalizer o comércio e a reduzir o papel do Estado nos assuntos económicos, principalmente através da privatização de empresas públicas.O resultado foi a privatização de sectores vitais dos países africanos, o que deixou muitos países em desenvolvimento em dificuldades para conseguirem enfrentar a actual crise mundial financeira e alimentar. É provável que esses mesmos doadores abandonem estes países à medida que tentam resolver a crise financeira mundial.Segundo o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Laboral e Económico do Zimbabué (LEDRIZ), existem crescentes provas que as soluções que acompanham o dinheiro proveniente da ajuda raramente funcionam no interesse dos pobres. Nos últimos cinco anos, tem havido um crescente consenso internacional que as condicionantes das políticas económicas não funcionam.O LEDRIZ é um grupo de reflexão sobre políticas e investigação do Congresso dos Sindicatos do Zimbabué a (ZCTU).A Declaração de Paris sobre a Eficácia da Ajuda, assinada há alguns anos por doadores e beneficiários da ajuda, definiu 12 objectivos que deveriam ser alcançados até 2010. No seu centro encontra-se a necessidade de proporcionar mais ajuda a longo prazo através de sistemas governamentais beneficiários em conformidade com as prioridades de desenvolvimento desses governos.Mas Meja continua a insistir que ‘‘idealmente, os países africanos devem deixar de receber ajuda e de se comportarem como miúdos de 20 anos que ainda estão a ser desmamados. Devemos exigir reparações por aquilo que estes países doadores nos fizeram, mas isso deve ser feito colectivamente.’

Stanley Kwenda
www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=4328

Um sonho do homem branco na África

Em seu afã por ajudar os africanos a se alimentar, a Fundação Bill e Melinda Gates deixou de consultar os agricultores e as comunidades que pretende beneficiar, afirma neste artigo a especialista Anuradha Mittal. O aumento da fome no mundo se converteu em ferramenta da indústria da biotecnologia, em busca de apoio para os cultivos de transgênicos. A tática da “maquiagem verde”, pela qual a biotecnologia é amistosa com o meio ambiente e ajudará a enfrentar a mudança climática, e a da “maquiagem pobre”, que incita a aceitar a engenharia genética para aumentar a produção e melhorar a vida dos camponeses, obteveram o favor de certas desencaminhadas instituições filantrópicas. Por exemplo, a Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra), dirigida pela Fundação Bill e Melinda Gates, pretende ser o mais importante veiculo institucional para mudar a agricultura africana. Contudo, em seu entusiasmo por ajudar os africanos a se alimentar, graças a um pacote tecnológico de insumos químicos e sementes modificadas, a Fundação Gates deixou de consultar os agricultores e as comunidades que pretende beneficiar. Embora se defina como uma “iniciativa conduzida por africanos” –tendo Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, como presidente– a Agra continua sendo um “sonho do homem branco para a África”. Especialistas da indústria da biotecnologia que ocupam as principais posições na Fundação Gates estão elaborando um projeto com sua visão sobre o que deveria ser a revolução agrícola. Seus assessores são expoentes de elites políticas africanas, como Ruth Oniang’o, cujas opiniões podem ser encontradas nas páginas do site da multinacional Monsanto, defendendo a necessidade da biotecnologia no continente. Para calar críticas da sociedade civil, a Fundação tem sido vaga em seu papel na promoção de cultivos modificados geneticamente. Porém, seus donatários trabalham para desbaratar a ampla resistência local ao uso de transgênicos na agricultura. Por exemplo, o Donald Sanforth Plant Science Center, com sede no Estado norte-americano de Saint Louis, recebeu US$ 5,4 milhões da Fundação Gates para conseguir que os governos africanos aprovem a realização de pesquisas de campo de cultivos modificados geneticamente. A Fundação deixa de lado destacados estudos que refutam posições convencionais contidas em sua agenda agrícola industrial e orientadas pelo mercado. Um estudo, publicado em 2008, pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente demonstra que a agricultura orgânica é mais benéfica do que a de uso intensivo de produtos químicos e que, portanto, é mais favorável para a segurança alimentar da África. Uma análise de 114 projetos em 24 países africanos comprovou que os cultivos onde foram usadas práticas orgânicas ou próximas das orgânicas duplicaram seus rendimentos. As pesquisas também mostram que tais práticas produziram grandes benefícios ambientais, como melhoria na fertilidade do solo, maior retenção de água e resistência à seca. Entretanto, nada disso é considerado nos planos agrícolas da Fundação Gates. O informe 2008-2011 da Estratégia de Desenvolvimento Agrícola da Fundação mostra o quanto esses planos estão longe daqueles a quem tenta ajudar. De acordo com suas próprias afirmações, a Fundação investe em desenvolvimento agrícola porque uma crescente maioria de pobres depende da agricultura. Porém, o resumo do informe confidencial para os executivos da entidade propõe reduzir a população rural sem especificar ou explicar onde e como seriam realocadas em outras atividades as pessoas retiradas do meio agrícola. As campanhas que promovem as soluções tecnológicas para combater a fome costumam oferecer a palavra de um punhado de porta-vozes africanos para silenciar as vozes genuínas de agricultores, pesquisadores e organizações da sociedade civil. No entanto, há uma extensa oposição à engenharia genética e aos planos de uma nova “revolução verde” para a África. Os africanos uniram-se contra os cultivos modificados geneticamente e optam por amplas intervenções políticas que apóiem a agricultura familiar, para que os camponeses possam produzir e comercializar os frutos de suas colheitas de maneira sustentável. Mesmo quando se veem diante de situações extremas de fome, os países africanos escolhem proteger a biodiversidade diante do dilema de aceitar ajuda em alimentos geneticamente modificados, como foi o caso da Zâmbia, em 2002. Nestes tempos de “maquiagem pobre” e fome crescente, é crucial que suas vozes sejam ouvidas para que se possa garantir a soberania alimentar da África e de seus povos. * Anuradah Mittal é diretora-executiva do The Oakland Institute e editora do informe “Vozes da Africa: agricultores e desenvolvimentistas Africanos falam claramente contra a nova revolução verde”. Direitos exclusivos IPS.

Anuradha Mittal
www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=4642

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Com o golpe, a França recupera sua influência em Madagascar

El tan anunciado golpe de Estado en Madagascar se produjo el martes pasado, luego de la trágica muerte de 130 personas y de tres meses de violentos enfrentamientos entre dos sectores políticos y empresariales. Se presume que el nuevo gobernante buscará apoyos en Francia, en detrimento de la posición norteamericana. La isla subcontinental de Madagascar, que está situada al este de África sobre el Océano Índico, además de ser un gran productor de arroz, vainilla y café, y de poseer abundantes riquezas, como sus minas de zafiro, grandes espacios cultivables, una gran biodiversidad y un millonario ingreso por turismo, es un punto geoestratégico fundamental para las potencias porque está situada en una de las puertas de entrada a este océano, que ha cobrado muchísima importancia en los últimos años. Estados Unidos, Francia, China e India disputan su influencia en el Índico, que es precisamente por donde transita el 70 % de la producción de petróleo mundial y una gran parte del comercio mundial. La construcción de bases en sus costas y en sus numerosas islas aumentó en el último año, siendo París la que se vio más perjudicada, ya que hasta 2001 Madagascar era gobernado por un presidente afín al Elíseo y a partir de 2002 el cambio de gobierno giró hacia una alianza casi exclusiva con Washington y el mundo anglófono. Además, en esa zona está estacionada una gran parte de la flota francesa en las islas de Mayotte y Reunión, por eso con este golpe, el poder lo vuelve a tomar Francia a través de un nuevo presidente aliado. De esta manera, París recupera la influencia absoluta sobre la zona sudoccidental del Índico, quedando el norte para los EE.UU. y sus portaaviones, que apoyan sus misiones en Irak y Afganistán, y el este del océano se encuentra repartido entre China e India. Protagonistas del golpe El presidente depuesto, Marc Ravalomanana, había sido elegido en elecciones transparentes en 2002, luego de que el anterior mandatario pro francés hubiese gobernado 26 años. Los logros de Ravalomanana fueron varios y muy reconocidos internacionalmente: ayudas crediticias y desarrollo de la industria local, pago de varias de sus deudas externas, lo que alivió la carga pública, y sobre todo la inversión en educación. Cabe destacar que las universidades malgaches gozan de un gran prestigio en la región. Pero, el presidente derrocado la semana pasada no dejaba de ser un empresario en el poder con sus intereses en la industria alimenticia, mantenía una estrecha alianza con Washington, que dejaba afuera a París, la ex metrópoli en épocas coloniales, y además contaba con varios medios de comunicación propios, lo que le generó el apodo de "el Berlusconi de Madagascar". Las promesas incumplidas de reformar el sistema electoral y el creciente autoritarismo ante el fortalecimiento de la oposición, encabezada por el alcalde de la capital, Andry Rajoelina -ex DJ de 34 años- provocó un descontento social que fue reprimido con violencia. En tanto, la oposición no fue pacífica. Los partidarios de Rajoelina incendiaron varios canales de televisión del presidente y utilizaron al ejército para atacar el palacio presidencial. El factor coreano Sin embargo, el motivo que más indignación causó en el pueblo malgache, que resultó muy bien aprovechado por Rajoelina, fue la firma de un contrato de 99 años con la empresa coreana Daewoo en el que se le cedía casi la mitad de las tierras cultivables de la isla -que en su mayoría estaban abandonadas- para cosechar maíz que iba a ser utilizado como biocombustible por Corea del Sur. Mediante este contrato, la empresa coreana no estaba obligada al pago de un alquiler, sino que se comprometía a realizar inversiones en el país y a dar algunos puestos de trabajo a los malgaches. Hace un año, el gobierno conservador de Seúl anunció que ante el crecimiento del precio de los alimentos, y de la industria coreana, iba a diversificar sus fuentes de abastecimiento de maíz, que hasta ahora eran compradas a la Argentina, los EE.UU. y Brasil. La FAO, organismo que depende de la ONU y que se encarga del área de la alimentación, advirtió sobre el peligro del neocolonialismo agrícola, que consiste en arrendar tierras para llevarse las materias primas y no producir alimentos en donde se cultivan, como es el caso de Daewoo en Madagascar. Además, el 70 % de los malgaches sobreviven con menos de 2 dólares diarios y no cubren sus necesidades alimentarias básicas. Futuro político Una vez que Rajoelina tomó el poder canceló el contrato con Daewoo, cerró el Parlamento y anunció elecciones para dentro de dos años. De esta última decisión se tomó Washington para manifestar su descontento por la pérdida de influencia y condenó la interrupción de la democracia. La UE, Rusia y la Unión Africana también repudiaron el golpe; sin embargo, Francia fue el único país que manifestó su deseo de seguir ayudando económicamente a Madagascar, que acaba de retornar a la esfera francesa de influencia en el Índico junto con otras islas que no lograron plegarse al proceso descolonizador impulsado por la ONU luego de la Segunda Guerra Mundial.

Maximiliano Sbarbi Osuna
www.elcorresponsal.com/modules.php?name=News&file=article&sid=5424