Harare - A ajuda com condições frequentemente não se traduz em melhoria das vidas das populações para quem esse dinheiro foi ostensivamente obtido em primeiro lugar. A maior parte do capital recebido sob a forma de ajuda é utilizado para pagar as dívidas pendentes aos doadores ocidentais.Estas foram as opiniões dos participantes numa conferência da Coligação sobre Dívida e Desenvolvimento do Zimbabué (ZIMCODD) que teve lugar na semana passada em Harare. A ZIMCODD é uma organização da sociedade civil que trabalha em prol da justiça social e económica.A conferência foi convocada para discutir de que forma se pode estimular a economia zimbueana quando houver um acordo político da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) para aquele país.Já existem rumores de uma superabundância de doadores prontos a oferecer ajuda ao novo governo de unidade nacional do Zimbabué. Mas o país ainda se debate com reembolsos de dívida que remontam a 1980, quando obteve independência da Grã-Bretenha.Alguma desta ajuda foi recebida durante a década de 90 através do desastroso Programa de Ajustamento Estrutural Económico (ESAP) e teve como resultado a crescente dívida externa do Zimbabué, que alegadamente ascende a 4.9 mil milhões de dólares, de acordo com estatísticas da organização sueca de solidariedade Grupos da Suécia em África (AGS).Apresentando uma comunicação intitulada ‘‘Panoramas para a Ajuda, Perspectivas para o Zimbabué’’, Vitalice Meja do Fórum e Rede Africanos sobre Dívida e Desenvolvimento (AFRODAD) defendeu que, devido às condições que acompanham o dinheiro da ajuda, os governos africanos acabam por utilizar apenas um quarto do dinheiro recebido ao passo que pagam quatro vezes mais do que aquilo que foi recebido.O AFRODAD é uma organização da sociedade civil preocupada com o fardo da dívida africana.‘‘A ajuda continua a ser condicional e, em resultado, os governos africanos acabam por receber apenas cerca de 37 por cento do montante original, portanto qual é a vantagem?’’ perguntou Meja.Referiu que a sociedade civil tem um papel importante a desempenhar nas futuras relações dos doadores com qualquer novo governo do Zimbabué. ‘‘Precisamos de desmistificar a visão da ajuda como caridade. Não o é, mas continua a ter um papel a desempenhar neste país. Por exemplo, são necessários mais de 11.7 mil milhões de dólares para reabilitar as estradas e garantir o fornecimento adequado de água – que são alguns dos componentes principais de uma recuperação.‘‘Mas de onde é que virá todo esse dinheiro?”Meja exigiu que se repensasse este assunto: ‘‘Chegou a altura de dizermos párem de nos dar a vossa ajuda, já não a queremos. Os países africanos são exportadores líquidos de capital. Estes doadores devem ser vistos como aquilo que são – criminosos. Porque 95 por cento do capital africano vão para o Ocidente a título de pagamento de dívidas.’’Sublinhou que, se os governos africanos vierem a recusar ajuda, antes disso devem criar-se políticas económicas sólidas. Disse ainda que outros Estados no Sul, como o Chile e a Argentina, confrontaram este sistema injusto mas certificaram-se que tinham o enquadramento para as políticas macroeconómicas no seu devido lugar.Acrescentou que, em vez de tentar atrair investimento directo estrangeiro dos países ocidentais, os países africanos deviam atrair investidores africanos da Diáspora.Dennis Kellecioglu, economista junto da organização Grupos da Suécia em África (AGS), tem uma opinião diferente da de Meja, dizendo que os países africanos como o Zimbabué não se podem dar ao luxo de repudiar a ajuda estrangeira, porque nem toda a ajuda é má.‘‘Como Africanos, temos de perguntar se temos meios para fazer isso se ainda tivermos uma ajuda boa. Por exemplo, esta reunião foi paga com dinheiro proveniente de ajuda. Estamos a almoçar bem, o local da reunião está pago e estamos a desenvolver capacidades com dinheiro proveniente de ajuda. Não se trata de boa ajuda?’’A ajuda para África é frequentemente um ponto de debate. Muitos pensam que é desperdiçada por governos corruptos ou gasta em projectos que fracassam. É inegável que, ao longo dos anos, muita ajuda estrangeira não foi usada tão eficazmente como poderia ter sido. Mas a ajuda pode fazer uma grande diferença nas vidas de mulheres e homens que vivem na pobreza.Moçambique foi em dada altura o país mais pobre do mundo, mas tem progredido na senda do crescimento sustentável, graças à ajuda.Ao longo dos anos, a ajuda tem sido usada como peão politico no xadrez da Guerra Fria e também para promover modelos económicos específicos. Através daquilo que é habitualmente conhecido como o ‘‘Consenso de Washington’’, doadores, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional impuseram cortes na despesa pública.Ao mesmo tempo, encorajaram os governos a liberalizer o comércio e a reduzir o papel do Estado nos assuntos económicos, principalmente através da privatização de empresas públicas.O resultado foi a privatização de sectores vitais dos países africanos, o que deixou muitos países em desenvolvimento em dificuldades para conseguirem enfrentar a actual crise mundial financeira e alimentar. É provável que esses mesmos doadores abandonem estes países à medida que tentam resolver a crise financeira mundial.Segundo o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Laboral e Económico do Zimbabué (LEDRIZ), existem crescentes provas que as soluções que acompanham o dinheiro proveniente da ajuda raramente funcionam no interesse dos pobres. Nos últimos cinco anos, tem havido um crescente consenso internacional que as condicionantes das políticas económicas não funcionam.O LEDRIZ é um grupo de reflexão sobre políticas e investigação do Congresso dos Sindicatos do Zimbabué a (ZCTU).A Declaração de Paris sobre a Eficácia da Ajuda, assinada há alguns anos por doadores e beneficiários da ajuda, definiu 12 objectivos que deveriam ser alcançados até 2010. No seu centro encontra-se a necessidade de proporcionar mais ajuda a longo prazo através de sistemas governamentais beneficiários em conformidade com as prioridades de desenvolvimento desses governos.Mas Meja continua a insistir que ‘‘idealmente, os países africanos devem deixar de receber ajuda e de se comportarem como miúdos de 20 anos que ainda estão a ser desmamados. Devemos exigir reparações por aquilo que estes países doadores nos fizeram, mas isso deve ser feito colectivamente.’
Stanley Kwenda
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sábado, 25 de abril de 2009
Um sonho do homem branco na África
Em seu afã por ajudar os africanos a se alimentar, a Fundação Bill e Melinda Gates deixou de consultar os agricultores e as comunidades que pretende beneficiar, afirma neste artigo a especialista Anuradha Mittal. O aumento da fome no mundo se converteu em ferramenta da indústria da biotecnologia, em busca de apoio para os cultivos de transgênicos. A tática da “maquiagem verde”, pela qual a biotecnologia é amistosa com o meio ambiente e ajudará a enfrentar a mudança climática, e a da “maquiagem pobre”, que incita a aceitar a engenharia genética para aumentar a produção e melhorar a vida dos camponeses, obteveram o favor de certas desencaminhadas instituições filantrópicas. Por exemplo, a Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra), dirigida pela Fundação Bill e Melinda Gates, pretende ser o mais importante veiculo institucional para mudar a agricultura africana. Contudo, em seu entusiasmo por ajudar os africanos a se alimentar, graças a um pacote tecnológico de insumos químicos e sementes modificadas, a Fundação Gates deixou de consultar os agricultores e as comunidades que pretende beneficiar. Embora se defina como uma “iniciativa conduzida por africanos” –tendo Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, como presidente– a Agra continua sendo um “sonho do homem branco para a África”. Especialistas da indústria da biotecnologia que ocupam as principais posições na Fundação Gates estão elaborando um projeto com sua visão sobre o que deveria ser a revolução agrícola. Seus assessores são expoentes de elites políticas africanas, como Ruth Oniang’o, cujas opiniões podem ser encontradas nas páginas do site da multinacional Monsanto, defendendo a necessidade da biotecnologia no continente. Para calar críticas da sociedade civil, a Fundação tem sido vaga em seu papel na promoção de cultivos modificados geneticamente. Porém, seus donatários trabalham para desbaratar a ampla resistência local ao uso de transgênicos na agricultura. Por exemplo, o Donald Sanforth Plant Science Center, com sede no Estado norte-americano de Saint Louis, recebeu US$ 5,4 milhões da Fundação Gates para conseguir que os governos africanos aprovem a realização de pesquisas de campo de cultivos modificados geneticamente. A Fundação deixa de lado destacados estudos que refutam posições convencionais contidas em sua agenda agrícola industrial e orientadas pelo mercado. Um estudo, publicado em 2008, pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente demonstra que a agricultura orgânica é mais benéfica do que a de uso intensivo de produtos químicos e que, portanto, é mais favorável para a segurança alimentar da África. Uma análise de 114 projetos em 24 países africanos comprovou que os cultivos onde foram usadas práticas orgânicas ou próximas das orgânicas duplicaram seus rendimentos. As pesquisas também mostram que tais práticas produziram grandes benefícios ambientais, como melhoria na fertilidade do solo, maior retenção de água e resistência à seca. Entretanto, nada disso é considerado nos planos agrícolas da Fundação Gates. O informe 2008-2011 da Estratégia de Desenvolvimento Agrícola da Fundação mostra o quanto esses planos estão longe daqueles a quem tenta ajudar. De acordo com suas próprias afirmações, a Fundação investe em desenvolvimento agrícola porque uma crescente maioria de pobres depende da agricultura. Porém, o resumo do informe confidencial para os executivos da entidade propõe reduzir a população rural sem especificar ou explicar onde e como seriam realocadas em outras atividades as pessoas retiradas do meio agrícola. As campanhas que promovem as soluções tecnológicas para combater a fome costumam oferecer a palavra de um punhado de porta-vozes africanos para silenciar as vozes genuínas de agricultores, pesquisadores e organizações da sociedade civil. No entanto, há uma extensa oposição à engenharia genética e aos planos de uma nova “revolução verde” para a África. Os africanos uniram-se contra os cultivos modificados geneticamente e optam por amplas intervenções políticas que apóiem a agricultura familiar, para que os camponeses possam produzir e comercializar os frutos de suas colheitas de maneira sustentável. Mesmo quando se veem diante de situações extremas de fome, os países africanos escolhem proteger a biodiversidade diante do dilema de aceitar ajuda em alimentos geneticamente modificados, como foi o caso da Zâmbia, em 2002. Nestes tempos de “maquiagem pobre” e fome crescente, é crucial que suas vozes sejam ouvidas para que se possa garantir a soberania alimentar da África e de seus povos. * Anuradah Mittal é diretora-executiva do The Oakland Institute e editora do informe “Vozes da Africa: agricultores e desenvolvimentistas Africanos falam claramente contra a nova revolução verde”. Direitos exclusivos IPS.
Anuradha Mittal
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Anuradha Mittal
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
Com o golpe, a França recupera sua influência em Madagascar
El tan anunciado golpe de Estado en Madagascar se produjo el martes pasado, luego de la trágica muerte de 130 personas y de tres meses de violentos enfrentamientos entre dos sectores políticos y empresariales. Se presume que el nuevo gobernante buscará apoyos en Francia, en detrimento de la posición norteamericana. La isla subcontinental de Madagascar, que está situada al este de África sobre el Océano Índico, además de ser un gran productor de arroz, vainilla y café, y de poseer abundantes riquezas, como sus minas de zafiro, grandes espacios cultivables, una gran biodiversidad y un millonario ingreso por turismo, es un punto geoestratégico fundamental para las potencias porque está situada en una de las puertas de entrada a este océano, que ha cobrado muchísima importancia en los últimos años. Estados Unidos, Francia, China e India disputan su influencia en el Índico, que es precisamente por donde transita el 70 % de la producción de petróleo mundial y una gran parte del comercio mundial. La construcción de bases en sus costas y en sus numerosas islas aumentó en el último año, siendo París la que se vio más perjudicada, ya que hasta 2001 Madagascar era gobernado por un presidente afín al Elíseo y a partir de 2002 el cambio de gobierno giró hacia una alianza casi exclusiva con Washington y el mundo anglófono. Además, en esa zona está estacionada una gran parte de la flota francesa en las islas de Mayotte y Reunión, por eso con este golpe, el poder lo vuelve a tomar Francia a través de un nuevo presidente aliado. De esta manera, París recupera la influencia absoluta sobre la zona sudoccidental del Índico, quedando el norte para los EE.UU. y sus portaaviones, que apoyan sus misiones en Irak y Afganistán, y el este del océano se encuentra repartido entre China e India. Protagonistas del golpe El presidente depuesto, Marc Ravalomanana, había sido elegido en elecciones transparentes en 2002, luego de que el anterior mandatario pro francés hubiese gobernado 26 años. Los logros de Ravalomanana fueron varios y muy reconocidos internacionalmente: ayudas crediticias y desarrollo de la industria local, pago de varias de sus deudas externas, lo que alivió la carga pública, y sobre todo la inversión en educación. Cabe destacar que las universidades malgaches gozan de un gran prestigio en la región. Pero, el presidente derrocado la semana pasada no dejaba de ser un empresario en el poder con sus intereses en la industria alimenticia, mantenía una estrecha alianza con Washington, que dejaba afuera a París, la ex metrópoli en épocas coloniales, y además contaba con varios medios de comunicación propios, lo que le generó el apodo de "el Berlusconi de Madagascar". Las promesas incumplidas de reformar el sistema electoral y el creciente autoritarismo ante el fortalecimiento de la oposición, encabezada por el alcalde de la capital, Andry Rajoelina -ex DJ de 34 años- provocó un descontento social que fue reprimido con violencia. En tanto, la oposición no fue pacífica. Los partidarios de Rajoelina incendiaron varios canales de televisión del presidente y utilizaron al ejército para atacar el palacio presidencial. El factor coreano Sin embargo, el motivo que más indignación causó en el pueblo malgache, que resultó muy bien aprovechado por Rajoelina, fue la firma de un contrato de 99 años con la empresa coreana Daewoo en el que se le cedía casi la mitad de las tierras cultivables de la isla -que en su mayoría estaban abandonadas- para cosechar maíz que iba a ser utilizado como biocombustible por Corea del Sur. Mediante este contrato, la empresa coreana no estaba obligada al pago de un alquiler, sino que se comprometía a realizar inversiones en el país y a dar algunos puestos de trabajo a los malgaches. Hace un año, el gobierno conservador de Seúl anunció que ante el crecimiento del precio de los alimentos, y de la industria coreana, iba a diversificar sus fuentes de abastecimiento de maíz, que hasta ahora eran compradas a la Argentina, los EE.UU. y Brasil. La FAO, organismo que depende de la ONU y que se encarga del área de la alimentación, advirtió sobre el peligro del neocolonialismo agrícola, que consiste en arrendar tierras para llevarse las materias primas y no producir alimentos en donde se cultivan, como es el caso de Daewoo en Madagascar. Además, el 70 % de los malgaches sobreviven con menos de 2 dólares diarios y no cubren sus necesidades alimentarias básicas. Futuro político Una vez que Rajoelina tomó el poder canceló el contrato con Daewoo, cerró el Parlamento y anunció elecciones para dentro de dos años. De esta última decisión se tomó Washington para manifestar su descontento por la pérdida de influencia y condenó la interrupción de la democracia. La UE, Rusia y la Unión Africana también repudiaron el golpe; sin embargo, Francia fue el único país que manifestó su deseo de seguir ayudando económicamente a Madagascar, que acaba de retornar a la esfera francesa de influencia en el Índico junto con otras islas que no lograron plegarse al proceso descolonizador impulsado por la ONU luego de la Segunda Guerra Mundial.
Maximiliano Sbarbi Osuna
www.elcorresponsal.com/modules.php?name=News&file=article&sid=5424
Maximiliano Sbarbi Osuna
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A mão do Ocidente nos massacres do Congo
Para el autor, la guerra en el Congo dista mucho de ser la consecuencia de un enfrentamiento interétnico: los promotores de tamaño holocausto son las potencias desarrolladas que benefician a las empresas multinacionales y a los traficantes de minerales preciosos.
Algunos analistas nos cuestionamos por qué recién ahora la Unión Europea se preocupa por alertar al mundo acerca de la violenta guerra que está sufriendo el Congo, cuando ya hace diez años que se inició, y que además llegó a ubicarse en el nefasto primer puesto de la mayores masacres que ha soportado la humanidad luego de la Segunda Guerra Mundial. Cinco millones es la tétrica cifra de personas muertas que dejó esta guerra desde 1998, de las cuáles cuatro millones fueron asesinadas entre 1998 y 2003.
Existen varias posibles explicaciones para que Bruselas pretenda enviar en los próximos días una Fuerza de Intervención Rápida que reemplace en parte a los 17 mil soldados de la ONU que hace una década que permanecen en territorio africano como parte de una fracasada misión de paz.
El desplazamiento de unas 250 mil personas de la ciudad de Goma, fronteriza con Ruanda, comenzó en agosto, cuando se violó el alto el fuego pactado entre el presidente del Congo, Joseph Kabila y el líder rebelde de la etnia tutsi, Laurent Nkunda, que cuenta con el apoyo armado de Ruanda y de los EE.UU.
Durante los últimos quince días los combates recrudecieron y afectaron a la población civil de la rica provincia de Kivu, en la que se alojan abundantes cantidades de oro y diamantes y las mayores reservas del mundo de coltán, el mineral que se utiliza para la fabricación de celulares, videojuegos, fibra óptica y tecnología espacial.
Los enfrentamientos entre guerrilleros tutsis y los hutus, que se encuentran apoyados por el débil gobierno central del Congo, alcanzaron en estas semanas el estatus de genocidio al producirse masacres de poblaciones civiles por parte de los rebeldes y del ejército congoleño, recordando la tragedia que dio origen a la guerra del Congo: la matanza de Ruanda de 1994.
Sin embargo, esta guerra dista mucho de ser la consecuencia de un enfrentamiento interétnico. El prejuicio de la sociedad occidental acerca de que la barbarie de los pueblos no civilizados produce este tipo de guerras es totalmente falso, debido a que los promotores de tamaño holocausto son las potencias desarrolladas que benefician a las empresas multinacionales y a los traficantes de minerales preciosos.
Una investigación realizada por la BBC denunció que la misión de la ONU había cometido gravísimas irregularidades en el Congo, como por ejemplo el tráfico ilegal de oro y marfil a través de la frontera de Ruanda y la provisión de armas a los rebeldes dirigidos por Nkunda.
Una de las razones por las cuales Francia y Bélgica están interesadas en revelar la situación que vive el Congo podría llegar a ser que desde la caída del dictador Mobutu Sese Seko, impulsada por los EE.UU. en 1997, han perdido la influencia sobre la extracción de los recursos, por eso ahora buscarían enviar una fuerza militar que vuelva a situar a la UE como actor principal que se beneficie del comercio y del saqueo de los minerales.
Washington y las multinacionales norteamericanas que participan en el Congo proveyendo de armas y alquilando soldados mercenarios utilizan como base de operaciones al gobierno tutsi de Ruanda.
Asimismo, el presidente congoleño Kabila no cuenta con el apoyo militar externo que posee el guerrillero Nkunda, por eso no tiene otra opción que aceptar las ofertas chinas de armamentos para enfrentar a los rebeldes a cambio de concederle a Pekín enormes espacios dentro de la economía congoleña, por ejemplo inversiones en sectores de salud, construcción y por supuesto en minerales.
China está experimentando una enorme expansión económica en África debido a su voracidad de materias primas que le permitan sostener su desarrollo industrial. Hasta ahora se había mantenido al margen del Congo porque fue una tradicional zona de influencia belga y francesa y desde 1997 norteamericana, pero la fisura que puede llegar a abrirse por la competencia entre París y Washington le brindaría a Pekín una posibilidad de participar de los beneficios minerales que brinda el Congo, que por otra parte necesita oxígeno para acabar con los disidentes que están desangrando a su economía y a su población.
Mediante el llamado unánime a las facciones guerrilleras para que pongan fin a la violencia promovido por los presidentes del Congo, Laurent Kabila; de Kenia, Paul Kagame; y el secretario general de la ONU, Ban Ki-Moon, desde la cumbre realizada en Kenia, se espera que cesen las matanzas. Aunque, Nkunda ya anunció que va a desconocer lo pactado en Kenia y que para abandonar las armas la primera condición que impone es que el presidente Kabila revise los acuerdos firmados con China, lo que revela que Occidente está detrás de las declaraciones del líder guerrillero.
Sin embargo, mientras los minerales africanos continúen siendo bien cotizados en el mercado internacional y las diferentes potencias utilicen como campo de batalla al Congo y la excusa de una supuesta guerra tribal para intervenir militarmente, es muy improbable que el escenario tienda revertirse.La fuente: el autor es analista de temas internacionales y director del Panorama Mundial de Historia y Actualidad.
Maximiliano Sbarbi Osuna
www.elcorresponsal.com/modules.php?name=News&file=article&sid=5334
Algunos analistas nos cuestionamos por qué recién ahora la Unión Europea se preocupa por alertar al mundo acerca de la violenta guerra que está sufriendo el Congo, cuando ya hace diez años que se inició, y que además llegó a ubicarse en el nefasto primer puesto de la mayores masacres que ha soportado la humanidad luego de la Segunda Guerra Mundial. Cinco millones es la tétrica cifra de personas muertas que dejó esta guerra desde 1998, de las cuáles cuatro millones fueron asesinadas entre 1998 y 2003.
Existen varias posibles explicaciones para que Bruselas pretenda enviar en los próximos días una Fuerza de Intervención Rápida que reemplace en parte a los 17 mil soldados de la ONU que hace una década que permanecen en territorio africano como parte de una fracasada misión de paz.
El desplazamiento de unas 250 mil personas de la ciudad de Goma, fronteriza con Ruanda, comenzó en agosto, cuando se violó el alto el fuego pactado entre el presidente del Congo, Joseph Kabila y el líder rebelde de la etnia tutsi, Laurent Nkunda, que cuenta con el apoyo armado de Ruanda y de los EE.UU.
Durante los últimos quince días los combates recrudecieron y afectaron a la población civil de la rica provincia de Kivu, en la que se alojan abundantes cantidades de oro y diamantes y las mayores reservas del mundo de coltán, el mineral que se utiliza para la fabricación de celulares, videojuegos, fibra óptica y tecnología espacial.
Los enfrentamientos entre guerrilleros tutsis y los hutus, que se encuentran apoyados por el débil gobierno central del Congo, alcanzaron en estas semanas el estatus de genocidio al producirse masacres de poblaciones civiles por parte de los rebeldes y del ejército congoleño, recordando la tragedia que dio origen a la guerra del Congo: la matanza de Ruanda de 1994.
Sin embargo, esta guerra dista mucho de ser la consecuencia de un enfrentamiento interétnico. El prejuicio de la sociedad occidental acerca de que la barbarie de los pueblos no civilizados produce este tipo de guerras es totalmente falso, debido a que los promotores de tamaño holocausto son las potencias desarrolladas que benefician a las empresas multinacionales y a los traficantes de minerales preciosos.
Una investigación realizada por la BBC denunció que la misión de la ONU había cometido gravísimas irregularidades en el Congo, como por ejemplo el tráfico ilegal de oro y marfil a través de la frontera de Ruanda y la provisión de armas a los rebeldes dirigidos por Nkunda.
Una de las razones por las cuales Francia y Bélgica están interesadas en revelar la situación que vive el Congo podría llegar a ser que desde la caída del dictador Mobutu Sese Seko, impulsada por los EE.UU. en 1997, han perdido la influencia sobre la extracción de los recursos, por eso ahora buscarían enviar una fuerza militar que vuelva a situar a la UE como actor principal que se beneficie del comercio y del saqueo de los minerales.
Washington y las multinacionales norteamericanas que participan en el Congo proveyendo de armas y alquilando soldados mercenarios utilizan como base de operaciones al gobierno tutsi de Ruanda.
Asimismo, el presidente congoleño Kabila no cuenta con el apoyo militar externo que posee el guerrillero Nkunda, por eso no tiene otra opción que aceptar las ofertas chinas de armamentos para enfrentar a los rebeldes a cambio de concederle a Pekín enormes espacios dentro de la economía congoleña, por ejemplo inversiones en sectores de salud, construcción y por supuesto en minerales.
China está experimentando una enorme expansión económica en África debido a su voracidad de materias primas que le permitan sostener su desarrollo industrial. Hasta ahora se había mantenido al margen del Congo porque fue una tradicional zona de influencia belga y francesa y desde 1997 norteamericana, pero la fisura que puede llegar a abrirse por la competencia entre París y Washington le brindaría a Pekín una posibilidad de participar de los beneficios minerales que brinda el Congo, que por otra parte necesita oxígeno para acabar con los disidentes que están desangrando a su economía y a su población.
Mediante el llamado unánime a las facciones guerrilleras para que pongan fin a la violencia promovido por los presidentes del Congo, Laurent Kabila; de Kenia, Paul Kagame; y el secretario general de la ONU, Ban Ki-Moon, desde la cumbre realizada en Kenia, se espera que cesen las matanzas. Aunque, Nkunda ya anunció que va a desconocer lo pactado en Kenia y que para abandonar las armas la primera condición que impone es que el presidente Kabila revise los acuerdos firmados con China, lo que revela que Occidente está detrás de las declaraciones del líder guerrillero.
Sin embargo, mientras los minerales africanos continúen siendo bien cotizados en el mercado internacional y las diferentes potencias utilicen como campo de batalla al Congo y la excusa de una supuesta guerra tribal para intervenir militarmente, es muy improbable que el escenario tienda revertirse.La fuente: el autor es analista de temas internacionales y director del Panorama Mundial de Historia y Actualidad.
Maximiliano Sbarbi Osuna
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terça-feira, 31 de março de 2009
Decreto-Lei nº 8/2009 institui o Alfabeto CaboVerdiano (ALUPEC), aprovado em regime experimental pelo Decreto-Lei nº 67/78 como Alfabeto-Caboverdiano
As Primeiras experiências de escrita na língua caboverdiana datam do século XIX, sendo o fi lólogo português Adolfo Coelho o pioneiro dessa experiência com o seu ensaio sobre «Os Dialectos Românicos ou neolatinos da África, Ásia e América», publicado em 1880.
1. Experiência Etimológica
A experiência de Adolfo Coelho baseava-se no alfabeto português, de base etimológica, utilizado de forma pouco sistemática e pouco económica.
Em 1885 surge um novo modelo de escrita do caboverdiano com António de Paula Brito no seu ensaio «Apontamentos para a Gramática do Crioulo que se fala na Ilha de Santiago de Cabo Verde».
Trata-se de um modelo de escrita baseado no alfabeto português, mas traz a novidade de ser largamente sistematizado, aproximando-se muito da escrita de base fonético-fonológica um modelo que surgiria mais tarde, já no século XX, particularmente na chamada Escola de Praga e de Ferdinand Saursure.
A proposta de António de Paula Brito, apesar de ser muito mais funcional que o alfabeto de base etimológica, não fez escola em Cabo Verde. Desconhece-se qualquer utilizador desse modelo para além do seu autor.
A experiência de Adolfo Coelho, porém, teve alguma continuidade no século XIX e mesmo no século XX e, de alguma forma, na actualidade também.
É assim, que em 1885 Joaquim Vieira Botelho e Custódio José Duarte publicam «O Crioulo de Cabo Verde, Breves Estudos sobre o Crioulo das Ilhas de Cabo Verde», oferecido ao estudioso austríaco Hugo Schuchardt.
Mais tarde, já na 1ª metade do século XX, a escrita de base etimológica foi utilizada por vários intelectuais e poetas como: Cónego Teixeira, na 1ª tentativa de cartilha para o ensino do crioulo; Napoleão Fernandes, no seu Léxico do Dialecto Crioulo de Cabo Verde; Eugénio Tavares, no seu livro Mornas-Cantigas Crioulas (1932); Pedro Cardoso, na sua obra Folclore Caboverdiano (1933).
Porém, é na 2ª metade do século XX que a escrita etimológica ganhou maior expressão. Surgiram os primeiros trabalhos académicos com os fi lólogos Baltasar Lopes da Silva e Maria Dulce Almada Duarte, respectivamente com O Dialecto Crioulo de Cabo Verde (1957) e O Crioulo de Cavo Verde - Contribuição para o Estudo do Dialecto Falado no … Arquipélago (1961).
A escrita etimológica, apesar da sua assistematicidade, encontrou eco junto de uma plêiade de poetas, compositores e escritores, sobretudo a partir dos anos 60 do século XX, com: B. Léza, Sérgio Frunzoni, Luís Romano, Jorge Pedro Barbosa, Ovídio Martins, Kaoberdiano Dambará, Kwame Kondé, Emanuel Braga Tavares, Ano Nobo, Manuel d’Novas, entre outros.
2. Experiência Fonético – Fonológica
Em 1975 Cabo Verde conquista a Independência e o País abre-se ao mundo. Os seus quadros são formandos em várias partes do globo e as novidades científicas, técnicas e culturais começaram a chegar às ilhas.
É assim, que em 1979, o então Ministério da Educação, Cultura, Juventude e Desportos organiza, através da Direcção Geral da Cultura, o 1º Colóquio Internacional sobre a Valorização do Crioulo Cabo-verdiano.
1. Experiência Etimológica
A experiência de Adolfo Coelho baseava-se no alfabeto português, de base etimológica, utilizado de forma pouco sistemática e pouco económica.
Em 1885 surge um novo modelo de escrita do caboverdiano com António de Paula Brito no seu ensaio «Apontamentos para a Gramática do Crioulo que se fala na Ilha de Santiago de Cabo Verde».
Trata-se de um modelo de escrita baseado no alfabeto português, mas traz a novidade de ser largamente sistematizado, aproximando-se muito da escrita de base fonético-fonológica um modelo que surgiria mais tarde, já no século XX, particularmente na chamada Escola de Praga e de Ferdinand Saursure.
A proposta de António de Paula Brito, apesar de ser muito mais funcional que o alfabeto de base etimológica, não fez escola em Cabo Verde. Desconhece-se qualquer utilizador desse modelo para além do seu autor.
A experiência de Adolfo Coelho, porém, teve alguma continuidade no século XIX e mesmo no século XX e, de alguma forma, na actualidade também.
É assim, que em 1885 Joaquim Vieira Botelho e Custódio José Duarte publicam «O Crioulo de Cabo Verde, Breves Estudos sobre o Crioulo das Ilhas de Cabo Verde», oferecido ao estudioso austríaco Hugo Schuchardt.
Mais tarde, já na 1ª metade do século XX, a escrita de base etimológica foi utilizada por vários intelectuais e poetas como: Cónego Teixeira, na 1ª tentativa de cartilha para o ensino do crioulo; Napoleão Fernandes, no seu Léxico do Dialecto Crioulo de Cabo Verde; Eugénio Tavares, no seu livro Mornas-Cantigas Crioulas (1932); Pedro Cardoso, na sua obra Folclore Caboverdiano (1933).
Porém, é na 2ª metade do século XX que a escrita etimológica ganhou maior expressão. Surgiram os primeiros trabalhos académicos com os fi lólogos Baltasar Lopes da Silva e Maria Dulce Almada Duarte, respectivamente com O Dialecto Crioulo de Cabo Verde (1957) e O Crioulo de Cavo Verde - Contribuição para o Estudo do Dialecto Falado no … Arquipélago (1961).
A escrita etimológica, apesar da sua assistematicidade, encontrou eco junto de uma plêiade de poetas, compositores e escritores, sobretudo a partir dos anos 60 do século XX, com: B. Léza, Sérgio Frunzoni, Luís Romano, Jorge Pedro Barbosa, Ovídio Martins, Kaoberdiano Dambará, Kwame Kondé, Emanuel Braga Tavares, Ano Nobo, Manuel d’Novas, entre outros.
2. Experiência Fonético – Fonológica
Em 1975 Cabo Verde conquista a Independência e o País abre-se ao mundo. Os seus quadros são formandos em várias partes do globo e as novidades científicas, técnicas e culturais começaram a chegar às ilhas.
É assim, que em 1979, o então Ministério da Educação, Cultura, Juventude e Desportos organiza, através da Direcção Geral da Cultura, o 1º Colóquio Internacional sobre a Valorização do Crioulo Cabo-verdiano.
A importância histórica desse Colóquio é muito grande já que é nele que surgiu a primeira proposta de um modelo de alfabeto fonético-fonológico para a escrita na língua cabo-verdiana.
Esse modelo, apesar de ser de base latina, afastavas e grandemente do modelo de base etimológica que não só era pouco económico, mas sobretudo era e é pouco sistemático.
A proposta de base fonética-fonológica foi largamente usada, durante dez anos (1979-1989), na recolha e transcrição de tradições orais; na então Escola de Formação de Professores do Ensino Secundário; no «Bilingual Program», nos EUA; na publicação de várias trabalhos da tradição oral; no ensaio Diskrison Strutural di Língua Kabuverdianu; no primeiro romance na Língua Caboverdiana (Oju d’Agu); na Introdução à Gramática do Crioulo, em vários contos, livros de poesia e teses académicas na Escola de Formação de Professores do Ensino Secundário.
3. Experiência Unificada entre o Modelo Etimológico e o Modelo Fonológico.
A escrita à base do modelo fonológico surgido em 1979 foi largamente utilizada, mas foi também largamente criticada.
Em 1989, após dez anos de experiência, o modelo foi avaliado no Fórum de Alfabetização Bilingue e chegou-se à conclusão que havia a necessidade de reformar esse padrão de escrita.
Foi criada uma Comissão Consultiva que deu um parecer favorável quanto à reforma pretendida, tendo indicado alguns caminhos que essa reforma deveria tomar.
Assim, em 1993, foi criado o Grupo de Padronização para dar corpo a essas reformas. O Grupo formado por linguistas, professores e escritores trabalhou durante seis meses, tendo apresentado um estudo sobre a matéria e uma Proposta das Bases do Alfabeto Unifi cado para a Escrita do Cabo-verdiano - ALUPEC.
O ALUPEC só viria a ser institucionalizado, a título experimental, quatro anos depois, isto é em Dezembro de 1998.
De então para cá, esse modelo de escrita foi largamente utilizado no ensino em Cabo Verde e na diáspora (EUA, Portugal, Holanda…): na investigação académica e na elaboração de várias teses em Cabo Verde, EUA, Portugal, França…; na edição de várias obras poéticas, ensaísticas, lexicográfi cas e de divulgação de tradições orais.
De sublinhar que após a aprovação do ALUPEC todos os estudos académicos em Universidade estrangeiras e em Institutos Nacionais Superiores de Ensino utilizaram esse modelo de escrita, o que não deixa de ser muito signifi cativo.
É ainda de grande relevância o facto da Comissão Nazarena de Tradução da Bíblia ter adoptado esse modelo de escrita, desde 2000, tendo já traduzido alguns textos evangélicos no livro Notísias Sabi di Jezus.
Um outro dado relevante é a tradução, nesse modelo de alfabeto, de grandes clássicos da literatura portuguesa pelo poeta José Luís Tavares.
Não deixa de ser relevante também a recente tradução, no ALUPEC, da Declaração Universal dos Direitos Humanos (2008).
4. Avaliação do ALUPEC e Proposta para institucionalização do ALFABETO CABO-VERDIANO
Dez anos após a aprovação do ALUPEC, foi realizado, em Dezembro de 2008, um Fórum para a avaliação desse modelo de escrita, durante o percurso feito e para perspectivar os caminhos do futuro.
O Fórum que reuniu vários utilizadores do ALUPEC (Linguistas, professores, escritores, tradutores…) chegou às seguintes conclusões:
1. Que o ALUPEC é um instrumento útil e funcional para a escrita na língua cabo-verdiana;
2. Que se deve criar incentivos para a escrita do ALUPEC;
3. Que se deve criar um Instituto Autónomo ou uma Academia para se ocupar da problemática da língua cabo-verdiana.
4. Que a padronização da escrita deve ser um caminho sempre em aberto, onde se privilegia a ciência, o consenso e o bom-senso, sujeitos à avaliação e adaptação periódicas. Nesse sentido, deve-se continuar a aprofundar a questão da acentuação e do til, bem como a representação da constritiva velar nasal Ñ, do Y e do LH.
5.Que o ALUPEC - pela funcionalidade e utilidade demonstradas; pelo interesse académico, social e cultural de que tem sido objecto; pela plasticidade na representação de todas as variantes da língua; por não ter tido a concorrência de nenhum outro modelo alfabético sistematizado e consistente - deve ser instituído, defi nitivamente, como Alfabeto Cabo-Verdiano.
Assim,
No uso da faculdade conferida pela alínea a) do nº 2 do artigo 216º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
Artigo1º
(Instituição do Alfabeto Cabo-verdiano)
(Instituição do Alfabeto Cabo-verdiano)
1. O Alfabeto Unifi cado para a Escrita da Língua Caboverdiana (ALUPEC), aprovado, em regime experimental, pelo Decreto-Lei nº 67/98, de 31 de Dezembro, é instituído como Alfabeto Cabo-verdiano.
2. O Alfabeto Cabo-verdiano funciona como um sistema gráfi co nacional para a escrita da língua cabo-verdiana.
Artigo 2º
Letras e Dígrafos
2. O Alfabeto Cabo-verdiano funciona como um sistema gráfi co nacional para a escrita da língua cabo-verdiana.
Artigo 2º
Letras e Dígrafos
1. O Alfabeto Cabo-verdiano integra vinte e quatro letras e quatro dígrafos, devendo a ordem das letras figurar antes dos dígrafos.
2. As letras, em maiúsculas e minúsculas, são as seguintes:
a) Maiúsculas
A B D E F G H I J K L M N Ñ O P R S T U V X Y Z
b) Minúsculas
a b d e f g h i j k l m n ñ o p r s t u v x y z
3. Os dígrafos, em maiúsculas e minúsculas, são as seguintes:
a) Maiúsculas
DJ LH NH TX
b) Minúsculas
dj lh nh tx
Artigo 3º
Promoção de medidas
O Governo promove as medidas necessárias com vista ao aprofundamento do estudo científico e técnico do alfabeto, ora instituído, e à padronização da escrita nele baseada.
Artigo 4º
(Entrada em vigor)
O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros.
José Maria Pereira Neves - Manuel Monteiro da Veiga
- Vera Valentina Benrós de Melo Duarte.
Promulgado em 5 de Março de 2009.
Publique-se:
O Presidente da República, PEDRO VERONA RODRIGUES PIRES.
Referendado em 6 de Março de 2009.
1. O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves.
2. As letras, em maiúsculas e minúsculas, são as seguintes:
a) Maiúsculas
A B D E F G H I J K L M N Ñ O P R S T U V X Y Z
b) Minúsculas
a b d e f g h i j k l m n ñ o p r s t u v x y z
3. Os dígrafos, em maiúsculas e minúsculas, são as seguintes:
a) Maiúsculas
DJ LH NH TX
b) Minúsculas
dj lh nh tx
Artigo 3º
Promoção de medidas
O Governo promove as medidas necessárias com vista ao aprofundamento do estudo científico e técnico do alfabeto, ora instituído, e à padronização da escrita nele baseada.
Artigo 4º
(Entrada em vigor)
O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros.
José Maria Pereira Neves - Manuel Monteiro da Veiga
- Vera Valentina Benrós de Melo Duarte.
Promulgado em 5 de Março de 2009.
Publique-se:
O Presidente da República, PEDRO VERONA RODRIGUES PIRES.
Referendado em 6 de Março de 2009.
1. O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves.
sábado, 21 de março de 2009
21 de Março, Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial
A Organização das Nações Unidas - ONU - instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em memória do Massacre de Shaperville ocorrido na cidade de mesmo nome, na África do Sul, em 21 de Março de 1960.
Em 21 de março de 1960, 20.000 negros protestavam contra a lei do passe, que obrigava os africanos (negros) da África do Sul a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. Sob a liderança do Congresso Pan-Africano (PAC) reuniram-se em Shaperville e marcharam calmamente, num protesto pacífico.
Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência
foram 69 mortos e 186 feridos.
Após esse dia, a opinião pública mundial focou sua atenção pela primeira vez na questão do Apartheid, e aos horrores que estavam sendo realizados na África do Sul, no dia 21 de Novembro de 1960, a ONU implementou o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, que passou a ser comemorado todo dia 21 de Março, a partir do ano seguinte.
*
A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial da ONU diz no seu art.º 1.º que:
"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".
*
Muitos homens e mulheres dedicaram suas vidas à luta pelos direitos civis e pelo fim da discriminação racial.
Martin Luther King Jr.
Foi um grande líder negro americano que lutou pelos direitos civis dos cidadãos, principalmente contra a discriminação racial. Martin Luther King era pastor e sonhava com um mundo onde houvesse liberdade e justiça para todos. Ele foi assassinado em 4 de abril de 1968. Sua figura ficou marcada na História da Humanidade como símbolo da luta contra o racismo. Em 1965, Martin Luther King lidera 3.200 pessoas no início da terceira e finalmente bem-sucedida marcha pelos direitos civis de Selma até Montgomery, Alabama.
Na véspera de sua morte, 3 de abril de 1968, Martin Luther King fez um discurso à comunidade negra, no Tennessee, Estados Unidos, um país dominado pelo racismo. Em seu discurso ele disse: "Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém. Vi com meus olhos a glória da chegada do Senhor".
Ele parecia estar prevendo o que ia acontecer. No dia seguinte, foi assassinado por um homem branco. Durante 14 anos, Martin Luther King lutou para acabar com a discriminação racial em seu país e nesse tempo ganhou o prêmio Nobel da Paz. Sempre procurou lembrar a todos e fazer valer o princípio fundamental da Declaração da Independência Americana que diz que "Todos os homens são iguais" e conseguiu convencer a maioria dos negros que era possível haver igualdade social. Alguns dias após a morte de Martin Luther King, o presidente Lyndon Johnson assinou uma lei acabando com a discriminação social, dando esperanças ao surgimento de uma sociedade mais justa de milhões de negros americanos.
Martin Luther King é lembrado em diversas comemorações públicas nos Estados Unidos e a terceira segunda-feira de janeiro é um feriado nacional em sua homenagem.
Malcolm X
"Não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos. Lutamos por direitos humanos."
Malcolm X, ou El-Hajj Malik El-Shabazz, foi outra personalidade que se sobressaiu na luta contra a discriminação racial. Ele não era tão pacífico como Luther King, que era adepto da não-violência, entretanto foram contemporâneos e seus ideais eram bem parecidos buscando a dignidade humana, acima de tudo.
Há quem diga que Malcolm X foi muito mais que um homem, foi na realidade uma idéia. Desde cedo ele enfrentou a discriminação e marginalização dos negros americanos, que viviam em bairros periféricos, excluídos e sem condições dignas de habitação, saúde e educação.
Foi nesse cenário que Malcolm X se tornou um dos grandes líderes do nosso tempo, dedicando-se à construção e organização do Movimento Islâmico nos Estados Unidos (Black Muslim), defendendo os negros e a religião do islamismo. Em março de 1964, afastou-se do movimento e organizou a Muslim Mosque Inc, e mais tarde a Afro-Americana Unity, organização não religiosa.
Malcolm X foi um dos principais críticos do sistema americano. E por isso mesmo era visto pela classe dominante como uma ameaça a esse sistema. No dia 21 de fevereiro de 1965, na cidade de Nova Iorque, foi assassinado por três homens, que dispararam 16 tiros contra ele. Muitas de suas frases ficaram famosas. Veja alguns de seus pensamentos:
Sobre seu nome:"Neste país o negro é tratado como animal e os animais não têm sobrenome".
Sobre os americanos:"Não é o fato de sentar à sua mesa e assistir você jantar que fará de mim uma pessoa que também esteja jantando. Nascer aqui na América não faz de você um americano".
Sobre a liberdade:"Você só vai conseguir a sua liberdade se deixar o seu inimigo saber que você não está fazendo nada para conquistá-la. Esta é a única maneira de conseguir a liberdade".
Nelson Mandela
"A luta é minha vida". A frase de Nelson Mandela, nascido em 1918, na África do Sul, resume sua existência. Desde jovem, influenciado pelos exemplos de seu pai e outras pessoas marcantes na sua infância e juventude, Mandela dedicou sua vida à luta contra a discriminação racial e as injustiças contra a população negra.
Mandela foi o fundador da Liga Jovem do Congresso Nacional Africano, em 1944, e traçou uma estratégia que foi adotada anos mais tarde pelo Congresso na luta contra o apartheid. A partir daí ele foi o líder do movimento de resistência a opressão da minoria branca sobre a maioria negra na África do Sul.
Hoje, ele ainda é símbolo de resistência pelo vigor com que enfrentou os governos racistas em seu país e o apartheid, sem perder a força e a crença nos seus ideais, inclusive nos 28 anos em que esteve preso (1962-1990), acusado de sabotagem e luta armada contra o governo. Nem mesmo as propostas de redução da pena e de liberdade que recebeu de presidentes sul-africanos ele aceitou, pois o governo queria um acordo onde o movimento negro teria que ceder. Ele preferiu resistir e em 1990 foi solto. Sua liberdade foi um dos primeiros passos para uma sociedade mais democrática na África do Sul, culminando com a eleição de Nelson Mandela como presidente do país em 1994. Um fato histórico onde os negros puderam votar pela primeira vez em seu país.
Leia mais sobre Nelson Mandela e a discriminação racial na África do Sul no texto Apartheid, o racismo legalizado.
O apartheid foi um dos regimes de discriminação mais cruéis de que se tem notícia no mundo. Ele vigorou na África do Sul de 1948 até 1990 e durante todo esse tempo esteve ligado à política do país. A antiga Constituição sul-africana incluía artigos onde era clara a discriminação racial entre os cidadãos, mesmo os negros sendo maioria na população.
Em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de segregação racial, o apartheid, ganhou força e foi oficializada em 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder.
O apartheid, que quer dizer separação na língua africâner dos imigrantes europeus, atingia a habitação, o emprego, a educação e os serviços públicos, pois os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham direito de participação na política e eram obrigados a viver em zonas residenciais separadas das dos brancos. Os casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os negros geralmente trabalhavam nas minas, comandados por capatazes brancos e viviam em guetos miseráveis e superpovoados.
Para lutar contra essas injustiças, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano - CNA, uma organização negra clandestina, que tinha como líder Nelson Mandela. Após o massacre de Sharpeville, o CNA optou pela luta armada contra o governo branco, o que fez com que Nelson Mandela fosse preso em 1962 e condenado à prisão perpétua. A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos étnicos e ficavam confinados nessas regiões.
A partir de 1975, com o fim do império português na África, lentamente começaram os avanços para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a Organização das Nações Unidas - ONU faziam pressão pelo fim da segregação racial. Em 1991, o então presidente Frederick de Klerk não teve outra saída: condenou oficialmente o apartheid e libertou líderes políticos, entre eles Nelson Mandela.
A partir daí, outras conquistas foram obtidas: o Congresso Nacional Africano foi legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz (1993), uma nova Constituição não-racial passou a vigorar, os negros adquiriram direito ao voto e em 1994 foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África do Sul e Nelson Mandela se tornou presidente da África do Sul, com o desafio de transformar o país numa nação mais humana e com melhores condições de vida para a maioria da população.
Mais aconteceu no mês de Março:
06 -Independência de Gana (Costa do Ouro), o primeirp país africano a tornar-se independente, tendo como mentor o líder Kwuame Nkrumah (1957);07 - Grande marcha pelos direitos civis, de Selma a Montgomery, liderada por Martin Luther King Jr. (1963);
08 - Dia Internacional da Mulher;
14 - Nasce Antônio de Castro Alves, poeta e abolicionista (1847); Nasce Abdias do Nascimento, criador do Teatro Experimental do Negro (1914);
19 - Revolta do Queimado, principal movimento de luta contra a escravidão do Espírito Santo (1849);
21 - Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória das vítimas do massacre de Shaperville, na África do Sul (1960);
30 - Conquista do direito de voto pelos homens afro-americanos nos EUA (1870).
Em 21 de março de 1960, 20.000 negros protestavam contra a lei do passe, que obrigava os africanos (negros) da África do Sul a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. Sob a liderança do Congresso Pan-Africano (PAC) reuniram-se em Shaperville e marcharam calmamente, num protesto pacífico.
Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência
foram 69 mortos e 186 feridos.
Após esse dia, a opinião pública mundial focou sua atenção pela primeira vez na questão do Apartheid, e aos horrores que estavam sendo realizados na África do Sul, no dia 21 de Novembro de 1960, a ONU implementou o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, que passou a ser comemorado todo dia 21 de Março, a partir do ano seguinte.
*
A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial da ONU diz no seu art.º 1.º que:
"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".
*
Muitos homens e mulheres dedicaram suas vidas à luta pelos direitos civis e pelo fim da discriminação racial.
Martin Luther King Jr.
Foi um grande líder negro americano que lutou pelos direitos civis dos cidadãos, principalmente contra a discriminação racial. Martin Luther King era pastor e sonhava com um mundo onde houvesse liberdade e justiça para todos. Ele foi assassinado em 4 de abril de 1968. Sua figura ficou marcada na História da Humanidade como símbolo da luta contra o racismo. Em 1965, Martin Luther King lidera 3.200 pessoas no início da terceira e finalmente bem-sucedida marcha pelos direitos civis de Selma até Montgomery, Alabama.
Na véspera de sua morte, 3 de abril de 1968, Martin Luther King fez um discurso à comunidade negra, no Tennessee, Estados Unidos, um país dominado pelo racismo. Em seu discurso ele disse: "Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém. Vi com meus olhos a glória da chegada do Senhor".
Ele parecia estar prevendo o que ia acontecer. No dia seguinte, foi assassinado por um homem branco. Durante 14 anos, Martin Luther King lutou para acabar com a discriminação racial em seu país e nesse tempo ganhou o prêmio Nobel da Paz. Sempre procurou lembrar a todos e fazer valer o princípio fundamental da Declaração da Independência Americana que diz que "Todos os homens são iguais" e conseguiu convencer a maioria dos negros que era possível haver igualdade social. Alguns dias após a morte de Martin Luther King, o presidente Lyndon Johnson assinou uma lei acabando com a discriminação social, dando esperanças ao surgimento de uma sociedade mais justa de milhões de negros americanos.
Martin Luther King é lembrado em diversas comemorações públicas nos Estados Unidos e a terceira segunda-feira de janeiro é um feriado nacional em sua homenagem.
Malcolm X
"Não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos. Lutamos por direitos humanos."
Malcolm X, ou El-Hajj Malik El-Shabazz, foi outra personalidade que se sobressaiu na luta contra a discriminação racial. Ele não era tão pacífico como Luther King, que era adepto da não-violência, entretanto foram contemporâneos e seus ideais eram bem parecidos buscando a dignidade humana, acima de tudo.
Há quem diga que Malcolm X foi muito mais que um homem, foi na realidade uma idéia. Desde cedo ele enfrentou a discriminação e marginalização dos negros americanos, que viviam em bairros periféricos, excluídos e sem condições dignas de habitação, saúde e educação.
Foi nesse cenário que Malcolm X se tornou um dos grandes líderes do nosso tempo, dedicando-se à construção e organização do Movimento Islâmico nos Estados Unidos (Black Muslim), defendendo os negros e a religião do islamismo. Em março de 1964, afastou-se do movimento e organizou a Muslim Mosque Inc, e mais tarde a Afro-Americana Unity, organização não religiosa.
Malcolm X foi um dos principais críticos do sistema americano. E por isso mesmo era visto pela classe dominante como uma ameaça a esse sistema. No dia 21 de fevereiro de 1965, na cidade de Nova Iorque, foi assassinado por três homens, que dispararam 16 tiros contra ele. Muitas de suas frases ficaram famosas. Veja alguns de seus pensamentos:
Sobre seu nome:"Neste país o negro é tratado como animal e os animais não têm sobrenome".
Sobre os americanos:"Não é o fato de sentar à sua mesa e assistir você jantar que fará de mim uma pessoa que também esteja jantando. Nascer aqui na América não faz de você um americano".
Sobre a liberdade:"Você só vai conseguir a sua liberdade se deixar o seu inimigo saber que você não está fazendo nada para conquistá-la. Esta é a única maneira de conseguir a liberdade".
Nelson Mandela
"A luta é minha vida". A frase de Nelson Mandela, nascido em 1918, na África do Sul, resume sua existência. Desde jovem, influenciado pelos exemplos de seu pai e outras pessoas marcantes na sua infância e juventude, Mandela dedicou sua vida à luta contra a discriminação racial e as injustiças contra a população negra.
Mandela foi o fundador da Liga Jovem do Congresso Nacional Africano, em 1944, e traçou uma estratégia que foi adotada anos mais tarde pelo Congresso na luta contra o apartheid. A partir daí ele foi o líder do movimento de resistência a opressão da minoria branca sobre a maioria negra na África do Sul.
Hoje, ele ainda é símbolo de resistência pelo vigor com que enfrentou os governos racistas em seu país e o apartheid, sem perder a força e a crença nos seus ideais, inclusive nos 28 anos em que esteve preso (1962-1990), acusado de sabotagem e luta armada contra o governo. Nem mesmo as propostas de redução da pena e de liberdade que recebeu de presidentes sul-africanos ele aceitou, pois o governo queria um acordo onde o movimento negro teria que ceder. Ele preferiu resistir e em 1990 foi solto. Sua liberdade foi um dos primeiros passos para uma sociedade mais democrática na África do Sul, culminando com a eleição de Nelson Mandela como presidente do país em 1994. Um fato histórico onde os negros puderam votar pela primeira vez em seu país.
Leia mais sobre Nelson Mandela e a discriminação racial na África do Sul no texto Apartheid, o racismo legalizado.
O apartheid foi um dos regimes de discriminação mais cruéis de que se tem notícia no mundo. Ele vigorou na África do Sul de 1948 até 1990 e durante todo esse tempo esteve ligado à política do país. A antiga Constituição sul-africana incluía artigos onde era clara a discriminação racial entre os cidadãos, mesmo os negros sendo maioria na população.
Em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de segregação racial, o apartheid, ganhou força e foi oficializada em 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder.
O apartheid, que quer dizer separação na língua africâner dos imigrantes europeus, atingia a habitação, o emprego, a educação e os serviços públicos, pois os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham direito de participação na política e eram obrigados a viver em zonas residenciais separadas das dos brancos. Os casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os negros geralmente trabalhavam nas minas, comandados por capatazes brancos e viviam em guetos miseráveis e superpovoados.
Para lutar contra essas injustiças, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano - CNA, uma organização negra clandestina, que tinha como líder Nelson Mandela. Após o massacre de Sharpeville, o CNA optou pela luta armada contra o governo branco, o que fez com que Nelson Mandela fosse preso em 1962 e condenado à prisão perpétua. A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos étnicos e ficavam confinados nessas regiões.
A partir de 1975, com o fim do império português na África, lentamente começaram os avanços para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a Organização das Nações Unidas - ONU faziam pressão pelo fim da segregação racial. Em 1991, o então presidente Frederick de Klerk não teve outra saída: condenou oficialmente o apartheid e libertou líderes políticos, entre eles Nelson Mandela.
A partir daí, outras conquistas foram obtidas: o Congresso Nacional Africano foi legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz (1993), uma nova Constituição não-racial passou a vigorar, os negros adquiriram direito ao voto e em 1994 foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África do Sul e Nelson Mandela se tornou presidente da África do Sul, com o desafio de transformar o país numa nação mais humana e com melhores condições de vida para a maioria da população.
Mais aconteceu no mês de Março:
06 -Independência de Gana (Costa do Ouro), o primeirp país africano a tornar-se independente, tendo como mentor o líder Kwuame Nkrumah (1957);07 - Grande marcha pelos direitos civis, de Selma a Montgomery, liderada por Martin Luther King Jr. (1963);
08 - Dia Internacional da Mulher;
14 - Nasce Antônio de Castro Alves, poeta e abolicionista (1847); Nasce Abdias do Nascimento, criador do Teatro Experimental do Negro (1914);
19 - Revolta do Queimado, principal movimento de luta contra a escravidão do Espírito Santo (1849);
21 - Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória das vítimas do massacre de Shaperville, na África do Sul (1960);
30 - Conquista do direito de voto pelos homens afro-americanos nos EUA (1870).
sexta-feira, 20 de março de 2009
No Maio descobri!...
Na ilha do Maio, Arquipélago de Cabo Verde, descobri que esta ilha é parente próxima de Santiago, que o resto do nosso Continente fica a Leste de Cabo Verde, que o Sol realmente nasce na Ethiopia por isso a designação “o povo da face queimada”.
Mais descobri que ...
Cabo Verde tem cinco ilhéus: ilhéu branco, ilhéu razo, ilhéus seco ou rombo os quais ilhéu de Cima, ... Realmente descobri que Cabo Verde é rico e bonito. Descobri nas palavras de um jovem que Cabo Verde é rico por causa dos seus artistas, por causa da beleza de sua natureza. Que as pessoas começaram a descobrir Cabo Verde por causa de Cesária Évora, ah isso já sabiaaa. E que os caboverdianos continuam a sub-valorizar e a sub-aproveitar Cabo Verde, ah isso também já sabia. Que achamos que as nossas únicas riquezas são as nossas praias, por isso devemos aproveitá-las para o Turismo, isso também, acho, que já sabia. Que apesar da contínua vinda desenfreada de estrangeiros para a nossa nação, os mesmos revelaram-se descontentes com a situação actualmente vivida em Cabo Verde (...) também já sabia. E, que, igualmente, os nacionais estão assustados com tanta violência, delinquência, corrupção, isso já sabia e pressentia a algum tempo atrás.
Mais descobri que ...
Daqui a poucos anos da beleza peculiar da ilha do Maio restará muito pouco. O dragão Turismo avança e num mesmo andar da ilha do Sal e Boavista, dizem os maienses, duvidosos das perspectivas políticas de desenvolvimento turístico, certos de que as suas praias não mais serão para caminhadas e demais outras pequenas delícias.
Mais descobri no Maio de que Cabo Verde é LINDOOO e PRECIOSO. Que os estrangeiros não veem à Cabo Verde para investir, mas também para desfrutar as suas maravilhas ora inexistentes nos seus países de origem. E que também veem para fugir do frio e do magro montante por eles recebido a título de reforma, por isso a grande maioria idosa. Isso TODOS sabemos.
Sei que se realmente amamos o nosso país devemos levar/trazer a educação, conhecimento e Informação mais próximo da população segundo a palavra de ordem de Abel Djassi “Aqueles que sabem devem ensinar aqueles que não sabem”. Não para construir um país/continente igual ao europeu ou americano, mas para debelar a desinformação, a inércia, a preguiça, a baixa auto-estima, o desemprego, mais ainda, a confusão mental e material (física) implantada pelo estado actual da Media que oferece e propaga apenas programas decadentes, excessivamente repetitivas, cujos conteúdos evidenciam-se bastante remotos.
No Maio descobri que é preciso lutar, pelos ideiais, pela personalidade, pelos direitos. Deve-se lutar pelo direito à educação e pelo direito ao trabalho. Descobri que o Estado Cabo Verdiano, através do Governo da situação, tem a obrigação de criar condições para garantir a todos os seus cidadãos o exercício do seu direito ao trabalho. Que é preciso nos valorizar-mos mais exigindo mais respeito e observância das normas inerentes a realização adequada da nossa profissão.
Descobri que toda a profissão tem o seu valor e função social por isso devemos valorizar e respeitar os varredores de rua, os trabalhadores portuários, os condutores de transporte público, enfim todos são merecedores de respeito advindo da própria condição humana.
Que no Maio as pessoas são consideradas pelos estrangeiros de preguiçosas ...
Mais descobri que ... temos ainda muito por descobrir na próxima vinda/ida ao Maio.
Mais descobri que ...
Cabo Verde tem cinco ilhéus: ilhéu branco, ilhéu razo, ilhéus seco ou rombo os quais ilhéu de Cima, ... Realmente descobri que Cabo Verde é rico e bonito. Descobri nas palavras de um jovem que Cabo Verde é rico por causa dos seus artistas, por causa da beleza de sua natureza. Que as pessoas começaram a descobrir Cabo Verde por causa de Cesária Évora, ah isso já sabiaaa. E que os caboverdianos continuam a sub-valorizar e a sub-aproveitar Cabo Verde, ah isso também já sabia. Que achamos que as nossas únicas riquezas são as nossas praias, por isso devemos aproveitá-las para o Turismo, isso também, acho, que já sabia. Que apesar da contínua vinda desenfreada de estrangeiros para a nossa nação, os mesmos revelaram-se descontentes com a situação actualmente vivida em Cabo Verde (...) também já sabia. E, que, igualmente, os nacionais estão assustados com tanta violência, delinquência, corrupção, isso já sabia e pressentia a algum tempo atrás.
Mais descobri que ...
Daqui a poucos anos da beleza peculiar da ilha do Maio restará muito pouco. O dragão Turismo avança e num mesmo andar da ilha do Sal e Boavista, dizem os maienses, duvidosos das perspectivas políticas de desenvolvimento turístico, certos de que as suas praias não mais serão para caminhadas e demais outras pequenas delícias.
Mais descobri no Maio de que Cabo Verde é LINDOOO e PRECIOSO. Que os estrangeiros não veem à Cabo Verde para investir, mas também para desfrutar as suas maravilhas ora inexistentes nos seus países de origem. E que também veem para fugir do frio e do magro montante por eles recebido a título de reforma, por isso a grande maioria idosa. Isso TODOS sabemos.
Sei que se realmente amamos o nosso país devemos levar/trazer a educação, conhecimento e Informação mais próximo da população segundo a palavra de ordem de Abel Djassi “Aqueles que sabem devem ensinar aqueles que não sabem”. Não para construir um país/continente igual ao europeu ou americano, mas para debelar a desinformação, a inércia, a preguiça, a baixa auto-estima, o desemprego, mais ainda, a confusão mental e material (física) implantada pelo estado actual da Media que oferece e propaga apenas programas decadentes, excessivamente repetitivas, cujos conteúdos evidenciam-se bastante remotos.
No Maio descobri que é preciso lutar, pelos ideiais, pela personalidade, pelos direitos. Deve-se lutar pelo direito à educação e pelo direito ao trabalho. Descobri que o Estado Cabo Verdiano, através do Governo da situação, tem a obrigação de criar condições para garantir a todos os seus cidadãos o exercício do seu direito ao trabalho. Que é preciso nos valorizar-mos mais exigindo mais respeito e observância das normas inerentes a realização adequada da nossa profissão.
Descobri que toda a profissão tem o seu valor e função social por isso devemos valorizar e respeitar os varredores de rua, os trabalhadores portuários, os condutores de transporte público, enfim todos são merecedores de respeito advindo da própria condição humana.
Que no Maio as pessoas são consideradas pelos estrangeiros de preguiçosas ...
Mais descobri que ... temos ainda muito por descobrir na próxima vinda/ida ao Maio.
domingo, 15 de março de 2009
Hip Hop Crioulo
O juízo de apreciação que a maioria dos caboverdianos têm do Hip Hop está hoje associado a criminalidade, violência, delinquência juvenil e, ainda, impregnada de pré-conceitos e discriminação.
Aconteceu ontem no antigo Cinema do Bairro Craveiro Lopes pelas 20:00 horas um Concerto de Hip Hop que reuniu no mesmo palco uns dos cantores considerados mais conceituados na Ilha de Santiago nomeadamente Republica, Afro-Democratas, Critikus, West Side. Na rua do cinema estavam muitos adolescentes e jovens, todos entusiasmados, a prepararem-se para a almejada grande noite; poucas mulheres vendedeiras a facultar produtos variados para todos os gostos desde o famoso pão com linguiça a guarrafas de fanta abastecidas de ponches caseiros.
A maioria da Juventude de Achadinha, inclusive Bairro Craveiro Lopes, estava ontem á noite no cinema do Bairro, o que tornou evidente a sua preferência cultural. Dentro do cinema, um jovem, bem alcoolizado, começa a antipatizar-se com uma cadeira empurrando-a, duas crianças brigam, e o sentimento colectivo era de medo. Medo que alguém iniciasse o que todos temiam: discórdia seguida de morte. E, ainda, para concluir, o som não estava bom.
O Hip Hop surgiu em Cabo Verde, por influência afro-americana, no ambiente de alguns jovens caboverdianos detentores de um espírito crítico, como uma forma adequada para intervir e expressar livremente, mais, particularmente, uma saudável alternativa de lazer. Viveu-se bons momentos de orientação em grupo. Aqueles jovens, apesar de igualmente desconhecedores da verdadeira História do Hip Hop, preferiam a inteligência em detrimento da violência, conscientes dos malefícios da violência e da Media.
O Hip Hop apareceu no Harlem, Estados Unidos da América, como uma luta de libertação, tempos depois da abolição da escravatura, numa época em que os africanos e seus descendentes nascidos na América não usufruíam dos seus direitos humanos básicos como o direito à liberdade e à determinação entre demais outros civis e políticos. Ergueram no Harlem, contra o racismo e a discriminação, revolucionários que utilizaram ritmos e poesias de intervenção para pregar a Igualdade Racial e Social naquele país.
Actualmente, em Cabo Verde, contrariamente ao seu sentido original, o Hip Hop é severamente criticado e discriminado pela população caboverdiana que está consciente de ser ele a causa principal da delinquência juvenil, isso integralmente por causa da postura dos próprios cantores (com a excepção dos 5% nação), que usam e abusam de drogas e violências (física ou verbal), não sendo os mesmos suficientemente exigentes para escrever uma boa poesia, reflexo das injustiças, desigualdades e mal- governação nacional e internacional.
Ontem, durante o evento, excepcionalmente, apenas dois grupos demonstraram-se preocupados em individualizar e divulgar um Hip Hop Crioulo recitando usos e costumes antigos como “tomar benção”.
Logo, notória a necessidade de estudo e conhecimento profundo da História de Cabo Verde, de mais demanda de informação e actualização sobre a realidade social e humana Caboverdiana, para somente depois com Hip Hop, reunindo assim preocupações e expectativas de uma grande maioria da população, exigir melhoria de qualidade de vida de Cabo Verde e caboverdianos.
É preciso escrever o valor da Mulher, o Amor, a Paz, a Sida, a nossa condição de arquipélago, a democracia, também o conceito de pobreza, as doenças tropicais e modernas, a deliquência juvenil, abusos sexuais infantil, violência doméstica, a participação activa dos caboverdianos na vida púbica, a necessidade de Transparência na Governação e, particularmente, o estado actual do nosso continente, entre muitos outros temas de relevância social.
Nós podemos.
Tchippie
Aconteceu ontem no antigo Cinema do Bairro Craveiro Lopes pelas 20:00 horas um Concerto de Hip Hop que reuniu no mesmo palco uns dos cantores considerados mais conceituados na Ilha de Santiago nomeadamente Republica, Afro-Democratas, Critikus, West Side. Na rua do cinema estavam muitos adolescentes e jovens, todos entusiasmados, a prepararem-se para a almejada grande noite; poucas mulheres vendedeiras a facultar produtos variados para todos os gostos desde o famoso pão com linguiça a guarrafas de fanta abastecidas de ponches caseiros.
A maioria da Juventude de Achadinha, inclusive Bairro Craveiro Lopes, estava ontem á noite no cinema do Bairro, o que tornou evidente a sua preferência cultural. Dentro do cinema, um jovem, bem alcoolizado, começa a antipatizar-se com uma cadeira empurrando-a, duas crianças brigam, e o sentimento colectivo era de medo. Medo que alguém iniciasse o que todos temiam: discórdia seguida de morte. E, ainda, para concluir, o som não estava bom.
O Hip Hop surgiu em Cabo Verde, por influência afro-americana, no ambiente de alguns jovens caboverdianos detentores de um espírito crítico, como uma forma adequada para intervir e expressar livremente, mais, particularmente, uma saudável alternativa de lazer. Viveu-se bons momentos de orientação em grupo. Aqueles jovens, apesar de igualmente desconhecedores da verdadeira História do Hip Hop, preferiam a inteligência em detrimento da violência, conscientes dos malefícios da violência e da Media.
O Hip Hop apareceu no Harlem, Estados Unidos da América, como uma luta de libertação, tempos depois da abolição da escravatura, numa época em que os africanos e seus descendentes nascidos na América não usufruíam dos seus direitos humanos básicos como o direito à liberdade e à determinação entre demais outros civis e políticos. Ergueram no Harlem, contra o racismo e a discriminação, revolucionários que utilizaram ritmos e poesias de intervenção para pregar a Igualdade Racial e Social naquele país.
Actualmente, em Cabo Verde, contrariamente ao seu sentido original, o Hip Hop é severamente criticado e discriminado pela população caboverdiana que está consciente de ser ele a causa principal da delinquência juvenil, isso integralmente por causa da postura dos próprios cantores (com a excepção dos 5% nação), que usam e abusam de drogas e violências (física ou verbal), não sendo os mesmos suficientemente exigentes para escrever uma boa poesia, reflexo das injustiças, desigualdades e mal- governação nacional e internacional.
Ontem, durante o evento, excepcionalmente, apenas dois grupos demonstraram-se preocupados em individualizar e divulgar um Hip Hop Crioulo recitando usos e costumes antigos como “tomar benção”.
Logo, notória a necessidade de estudo e conhecimento profundo da História de Cabo Verde, de mais demanda de informação e actualização sobre a realidade social e humana Caboverdiana, para somente depois com Hip Hop, reunindo assim preocupações e expectativas de uma grande maioria da população, exigir melhoria de qualidade de vida de Cabo Verde e caboverdianos.
É preciso escrever o valor da Mulher, o Amor, a Paz, a Sida, a nossa condição de arquipélago, a democracia, também o conceito de pobreza, as doenças tropicais e modernas, a deliquência juvenil, abusos sexuais infantil, violência doméstica, a participação activa dos caboverdianos na vida púbica, a necessidade de Transparência na Governação e, particularmente, o estado actual do nosso continente, entre muitos outros temas de relevância social.
Nós podemos.
Tchippie
sábado, 7 de março de 2009
FORAM AS DORES QUE O MATARAM
Não importa o dia. Nem mesmo importa o ano em que se conheceram. Aconteceu. E houve um momento em que se amaram. Talvez tenha havido muitos momentos em que se amaram.
Depois a rotina de vidas que se afastaram e, incompreensivelmente, continuam juntas. E dramaticamente caminham juntas, num desafio permanente à vida, à morte, ao direito de viver.
Não matei o meu marido.
Eu amava-o. Porque matá-lo?
Foram as dores do corpo que o condenaram. O sangue pisado, o ventre moído, as feridas em pus.
Foram as pancadas de ontem, as de hoje e, sobretudo, as pancadas de amanhã que o mataram.
Eu amava-o. Porque matá-lo?
Às vezes ficava à janela, meio escondida, vendo-o partir para o trabalho com a roupa que eu lavara e engomara. Gostava do seu modo de andar, do jeito como inclinava a cabeça. Via-o partir e ali ficava horas e dias à espera que voltasse e me trouxesse um riso e a esperança de que as coisas iriam mudar. Nesse dia não lembraria mais os tempos duros, os paus de pedra que me roíam e me desgastavam as entranhas. Mas para mim, não voltava nunca. Apenas para pedaços de meu corpo que esquecia logo.
Eu amava-o. Porque matá-lo?
Ele matou-se. Criou um espaço onde coabitavam a violência, a destruição, a miséria, o animalesco. E nós.
Deu-me as armas e fez-me assassina.
... Depois ficou tudo escuro
E o corpo a doer, a doer, a ...
Um soluço frágil absorve a última palavra.
(in Mornas eram as Noites de Dina Salústico, 1994)
Depois a rotina de vidas que se afastaram e, incompreensivelmente, continuam juntas. E dramaticamente caminham juntas, num desafio permanente à vida, à morte, ao direito de viver.
Não matei o meu marido.
Eu amava-o. Porque matá-lo?
Foram as dores do corpo que o condenaram. O sangue pisado, o ventre moído, as feridas em pus.
Foram as pancadas de ontem, as de hoje e, sobretudo, as pancadas de amanhã que o mataram.
Eu amava-o. Porque matá-lo?
Às vezes ficava à janela, meio escondida, vendo-o partir para o trabalho com a roupa que eu lavara e engomara. Gostava do seu modo de andar, do jeito como inclinava a cabeça. Via-o partir e ali ficava horas e dias à espera que voltasse e me trouxesse um riso e a esperança de que as coisas iriam mudar. Nesse dia não lembraria mais os tempos duros, os paus de pedra que me roíam e me desgastavam as entranhas. Mas para mim, não voltava nunca. Apenas para pedaços de meu corpo que esquecia logo.
Eu amava-o. Porque matá-lo?
Ele matou-se. Criou um espaço onde coabitavam a violência, a destruição, a miséria, o animalesco. E nós.
Deu-me as armas e fez-me assassina.
... Depois ficou tudo escuro
E o corpo a doer, a doer, a ...
Um soluço frágil absorve a última palavra.
(in Mornas eram as Noites de Dina Salústico, 1994)
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